Setembro termina, mas o cuidado com a vida continua

Setembro termina, mas o cuidado com a vida continua
Imagem Pessoal

*Por Dr Wilson Garcia

Encerramos o Setembro Amarelo com uma reflexão que, como médico, considero fundamental – o cuidado com a saúde mental não pode ter data para começar nem para terminar. Falar sobre saúde emocional é falar sobre qualidade de vida, sobre relações, sobre esperança e, principalmente, sobre a nossa capacidade de enfrentar as adversidades e obtermos os melhores resultados possiveis para nós, para a familia e todos que coonvivem conosco e amamos.

Na minha prática como mastologista acompanho de perto o impacto que uma doença pode provocar não apenas no corpo, mas também na mente. O diagnóstico de câncer, especialmente o câncer de mama, ainda é recebido por muitas mulheres como uma ruptura. O medo aparece, as dúvidas aumentam e, muitas vezes, a primeira sensação é de que o mundo desabou, a vida acabou e so os sofrimentos restam.

Por isso, o tratamento precisa enxergar a pessoa por inteiro e recuperar seu equilibrio, sua forca para lutar e a fé para obtermos os melhores resultados possiveis mirando a cura total e valorizacao de todas as oportunidades que a vida nos proporciona.

Não estamos falando apenas de exames, cirurgia, medicamentos ou procedimentos. Estamos falando de uma mulher que tem uma história, uma família, filhos, trabalho, sonhos e responsabilidades. Muitas vezes, ela é justamente aquela pessoa que sustenta emocionalmente todos ao redor e, quando adoece, precisa aprender a aceitar que também deve ser cuidada.

É nesse momento que a saúde mental ganha ainda mais importância.

Não devemos ter vergonha de pedir ajuda. Ansiedade, tristeza persistente, medo e sofrimento emocional não são sinais de fraqueza ou de falta de vontade. São situações que precisam ser reconhecidas e, quando necessário, acompanhadas por profissionais.
Também precisamos recuperar algo que parece simples, mas que está cada vez mais raro que são as relações humanas verdadeiras. Uma conversa olho no olho, uma ligação para saber como alguém está, um abraço, uma amizade na qual exista confiança. Ter pessoas com quem dividir as dificuldades pode fazer diferença nos momentos em que a vida parece pesada demais.

Mas cuidar da saúde emocional também significa não esperar a doença chegar para começar a cuidar de si. Precisamos mudar a lógica de procurar a saúde apenas quando algo já está errado. Prevenção é uma forma de respeito pela própria vida.

Atividade física, alimentação equilibrada, manutenção do peso adequado, não fumar, beber com moreracao, cuidar dos pensamentos e dos sonhos estão entre hábitos relacionados à redução do risco de câncer. São atitudes simples, mas que precisam fazer parte da rotina e não apenas das campanhas de conscientização.

E aqui está a principal mensagem que quero deixar neste encerramento do Setembro Amarelo: não deixe o cuidado com você para depois. A mulher que cuida dos filhos precisa se cuidar. A profissional que cuida do trabalho precisa se cuidar. A mãe que cuida da família também precisa permitir que cuidem dela.
Setembro termina e o Outubro Rosa se aproxima. As cores mudam, mas a mensagem pode ser a mesma, cuidar da mente e cuidar do corpo são partes de um único compromisso que é cuidar da vida.

Que as campanhas não sejam apenas um momento de falar sobre doenças. Que sejam oportunidades para lembrar que informação, prevenção, diagnóstico precoce, tratamento, acolhimento e apoio também salvam vidas.
E que cada pessoa possa olhar para si mesma e entender que cuidar da própria saúde não é egoísmo. É responsabilidade, é amor e é uma escolha diária pela vida.

*Dr. Wilson Garcia é médico oncologista, mastologista, cirurgião oncológico, professor e combatente da mortalidade por câncer no país.

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