Setor empresarial cobra senadores de MT e pede votação da PEC 6×1 após eleição

Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, a campanha pede que os senadores ampliem o debate sobre os possíveis impactos de uma mudança constitucional nas regras da jornada de trabalho. AcompanharCampanhas Eleitorais
Segundo a CNC, a alteração ocorre em um momento de fragilidade da economia brasileira, marcado por juros elevados, crédito caro e restritivo, endividamento das famílias, aumento da inadimplência empresarial, desinvestimentos e saída de empresas estrangeiras do país.
A entidade também cita o fim da chamada “Taxa das Blusinhas” como um fator que amplia a pressão sobre o varejo nacional. Para o setor produtivo, mudanças com impacto direto sobre custos e concorrência precisam ser analisadas de forma mais ampla, sem que interesses políticos ou o calendário eleitoral acelerem decisões econômicas de longo prazo.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, defendeu que a discussão sobre a jornada de trabalho seja conduzida por meio de negociação entre trabalhadores e empregadores.
“Não somos contrários ao debate sobre a jornada de trabalho e à busca por melhores condições para os trabalhadores. O que defendemos é que uma mudança dessa proporção seja tratada com responsabilidade, diálogo e, principalmente, com uma avaliação criteriosa dos impactos sobre quem gera emprego e renda.”
Segundo Tião, os segmentos de comércio, serviços e turismo apresentam características distintas e podem ser afetados de maneiras diferentes por uma regra nacional única.
“A nossa defesa é pelo diálogo, pela negociação coletiva e por uma transição responsável. Trata-se de encontrar um equilíbrio que proteja o trabalhador, preserve as empresas e garanta empregos”, afirmou.
A CNC também alerta para o impacto de uma eventual elevação dos custos operacionais sobre as empresas. Segundo a entidade, mais de 90% da mão de obra do setor atua atualmente no regime 6×1.
Na avaliação da confederação, uma mudança abrupta poderia aumentar os custos das empresas e resultar em repasses ao consumidor, com possíveis reflexos sobre a inflação. A entidade também aponta riscos de redução de vagas formais e crescimento da informalidade.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, reforçou a necessidade de cautela na análise da proposta.
“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais.”
Para Tadros, uma alteração constitucional nas relações de trabalho não deveria ser aprovada de forma acelerada, especialmente às vésperas de um processo eleitoral. AcompanharCampanhas Eleitorais
“Votarmos esta alteração constitucional drástica nas relações de trabalho, de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral, é colocar em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a própria manutenção dos empregos formais de toda a cadeia produtiva”, afirmou.
O presidente da CNC defende que eventuais mudanças nas jornadas sejam construídas por meio de convenções coletivas, respeitando as particularidades de cada setor e região.
“O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e setor. Agora é o momento de preservar a economia e garantir a segurança jurídica do país.”
Ao final da campanha, a CNC apela aos senadores por “sensatez e serenidade” na análise da proposta. A entidade defende que a readequação das jornadas ocorra por meio de negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores, conforme as regras previstas na legislação trabalhista.
A confederação também afirma que mudanças relacionadas à jornada de trabalho e à tributação de importações diretas podem produzir efeitos econômicos no curto, médio e longo prazo e, por isso, precisam de um debate amplo, sem que o calendário eleitoral seja determinante para a tomada de decisão. (Com informações da Assessoria)
(Rdnews)






