MT tem 29 policiais e bombeiros candidatos e categoria chega ao Governo e Senado

MT tem 29 policiais e bombeiros candidatos e categoria chega ao Governo e Senado
Crédito: Montagem/OD

A presença de policiais, bombeiros e militares voltou a ganhar espaço nas eleições de Mato Grosso. Cruzamento dos dados de candidaturas registrados na Justiça Eleitoral mostra que ao menos 29 candidatos em 2026 têm ligação com as forças de segurança, considerando tanto a ocupação declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto aqueles que fazem questão de carregar patente ou referência à corporação no nome que aparecerá nas urnas.

O levantamento do Olhar Direto considera bombeiros, policiais civis, policiais militares e integrantes das Forças Armadas. Para evitar distorções, candidatos que aparecem nos dois critérios — ocupação e nome de urna — foram contabilizados apenas uma vez. Também foram incluídos os deputados federais Coronel Fernanda (PL) e Coronel Assis (PL) e o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo), que atualmente informam a atividade parlamentar como ocupação, mas têm trajetória profissional nas forças de segurança.

O número representa crescimento em relação a 2022. Aplicando o mesmo critério — ocupação declarada ou patente/referência militar no nome de urna, sem duplicidades —, 25 candidatos estavam ligados ao segmento naquele pleito. Em quatro anos, portanto, o contingente passou de 25 para 29, alta de 16%.

A diferença fica ainda mais evidente pela posição ocupada por esses candidatos na disputa. Se em 2022 a maior parte estava concentrada nas chapas proporcionais para deputado estadual e federal, neste ano integrantes das forças de segurança também aparecem na eleição majoritária.

O Sargento Laudicério (Agir) disputa o Governo de Mato Grosso. Na corrida ao Senado, o Coronel Darwin (Democrata) é candidato a senador, tendo o Tenente Célio (Democrata) como primeiro suplente e o Sargento Leopoldo (Democrata) como segundo suplente. A Coronel Grasi (Republicanos) também aparece como segunda suplente em uma das chapas.

Entre os candidatos que declararam formalmente ocupações ligadas à segurança em 2026 estão ainda os bombeiros Fabiano Bombeiro (MDB), Radman Gadiel (Missão) e Coronel Agnaldo Pereira; os policiais civis Jamilson Moura (Avante) e Wlad Mesquita (Republicanos); além de um grupo maior de policiais militares.

Neste último segmento aparecem, além dos nomes da majoritária, Sargento Claudinei Ribeiro (Agir), Cabo Kelvin (Democrata), Sargento Andréia Andrade (Democrata), Coronel Vânia (MDB), Cabo Menegatti (Novo), Pastor Sargento Gualterney (Novo), Sargento Jucá (Novo), Sargento Casarin (Podemos), T. Coronel Salamaleico (PSDB), Cabo Vieira (Republicanos) e Subtenente Antônio (União).

O cruzamento com os nomes de urna amplia a lista porque há candidatos que não declararam policial ou militar como ocupação atual, mas continuam explorando eleitoralmente a patente. É o caso de nomes como Cabo Luís Roberto (Agir), Sargento Vidal (MDB), Coronel Roveri (Podemos), Sargento Erveson (PRD) e T. Coronel Wellison (PSD), que mantêm a identificação ligada às forças de segurança diante do eleitor.

O fenômeno também alcança parlamentares em busca de novo mandato. Coronel Fernanda e Coronel Assis, ambos do PL, são deputados federais, enquanto Elizeu Nascimento (Novo) exerce mandato na Assembleia Legislativa. Por ocuparem cargos eletivos, a atividade informada ao TSE pode não revelar, isoladamente, a origem profissional deles. Assis, por exemplo, continua utilizando “Coronel” na urna.

Patentes como identidade eleitoral
O levantamento mostra que a ligação com a segurança não está apenas no currículo. Em 20 candidaturas de 2026, a patente ou uma referência explícita à corporação foi incorporada ao próprio nome de urna.

A estratégia inclui desde patentes mais altas, como coronel, até identificações como tenente-coronel, tenente, subtenente, sargento e cabo, além de “bombeiro”. Em alguns casos, a identidade militar é combinada com outra referência, como ocorre com Pastor Sargento Gualterney.

Em 2022, a estratégia já estava presente. Entre os nomes daquele pleito estavam Coronel Pereira, Sargento Vidal, Subtenente Potência, Soldado Borgens, Cabo Costa, Sargento Erveson, Coronel Sandro, Sargento Wagner, Sargento Lucélia, Coronel Fernanda, Tenente-Coronel Vânia, Tenente Esteves, Sargento Dr. Laudicério, Sargento Joelson, Pastor Sargento Gualterney, Coronel Zózima, Tenente-Coronel Zilmar, Coronel Assis e Sargento Sandra.

A presença de candidatos ligados às forças de segurança está espalhada por 13 partidos, mas ganha maior peso em legendas identificadas com a direita e a centro-direita. O Democrata concentra o maior contingente, com cinco nomes, seguido pelo Novo, com quatro. Agir, MDB e Republicanos têm três candidatos cada, enquanto PL, Podemos e PSDB reúnem dois cada. Avante, Missão, PRD, PSD e União Brasil aparecem com um candidato cada. O quadro mostra uma dispersão partidária do segmento, mas com concentração relevante em siglas do campo mais à direita, especialmente quando considerados os partidos que, juntos, abrigam a maior parcela dos 29 nomes identificados.

A distribuição por partido fica assim:

Democrata: 5 candidatos

Novo: 4

Agir: 3

MDB: 3

Republicanos: 3

PL: 2

Podemos: 2

PSDB: 2

Avante: 1

Missão: 1

PRD: 1

PSD: 1

União Brasil: 1

(Olhar Direto)

Astrogildo Aécio Nunes

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