Gaeco aponta que Wanderley queria ‘expulsar’ Flávia, vender o DAE e repartir dinheiro

Gaeco aponta que Wanderley queria ‘expulsar’ Flávia, vender o DAE e repartir dinheiro
Assessoria

O depoimento de uma testemunha anônima ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na investigação da suposta compra de votos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande, trouxe novos detalhes e um planejamento a longo prazo dos alvos da operação. A operação foi deflagrada na terça-feira (20) e cumpriu buscas contra 15 parlamentares varzea-grandenses.

Conforme as investigações, Wanderley Cerqueira (MDB), que buscava sua recondução ao cargo, tinha interesse em assumir a prefeitura e vender o Departamento de Água e Esgoto (DAE), com a divisão do dinheiro entre envolvidos.

A informação consta no relatório, ao qual o teve acesso. No documento, o denunciante atribuiu ao parlamentar a seguinte declaração: “Eu vou exonerar a prefeita [Flávia Moretti] vender o DAE e nós vamos repartir o dinheiro”.

Segundo o relato, Wanderley teria demonstrado interesse em assumir a chefia do Poder Executivo municipal e, posteriormente, promover a concessão ou privatização do DAE, em andamento há quase dois anos, e promessa da gestão Flávia Moretti (PL).

Pela lógica, após a prefeitura concluir o processo de concessão operacional do departamento e precificá-lo, uma empresa seria anunciada vencedora, repassando o valor à prefeitura. Por sua vez, montante repassado ao grupo político do vereador.

Operação

Wanderley é um dos 15 vereadores alvos da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco para investigar suspeitas de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e possível atuação de organização criminosa em articulações políticas relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.

A operação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

Entre os alvos estão: Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Miguelzinho (Cidadania), Lucélia Oliveira (AGIR), Kleberson Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP), Gisa Barros (Podemos), Rogerinho Dakar (PSDB), o suplente de vereador Samir Japonês (PL) e a diretora-geral da Câmara Municipal de Várzea Grande, Lorineide Aparecida Trindade Inhan.

Já em Cuiabá, os alvos são Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos.

Ao todo, são cumpridos 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular, por determinação judicial, em endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

Conforme o Gaeco, a apuração busca reunir provas sobre a possível atuação de uma organização criminosa voltada à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos e práticas de corrupção.

A operação mobiliza mais de 200 policiais e conta com a participação de uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.

Também participam das diligências unidades especializadas das forças de segurança, incluindo equipes dos Comandos Regionais I e II, Agência Central de Inteligência, Rotam, Bope, Cavalaria, Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental, RAIO e Grupos de Apoio.

As buscas têm como objetivo reunir novos elementos de prova e aprofundar as investigações.

(GD)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?