Domingo diferente

Domingo diferente
Reprodução/ MidiaNews.

GABRIEL NOVIS NEVES

De dois em dois anos o Brasil vive um domingo diferente. É dia de eleições, quando milhões de brasileiros deixam suas casas para exercer o direito de escolher seus governantes.

“Os governos passam, as eleições se repetem, mas a esperança de um país melhor permanece”

Desde cedo as ruas ganham movimento. Eleitores procuram suas seções eleitorais e, cumprido o dever cívico, aproveitam o restante do domingo para descansar ou passear.

Em Cuiabá, muitos seguem para Chapada dos Guimarães, Manso, Coxipó do Ouro ou outros recantos agradáveis da nossa região. Ao regressarem, provavelmente já conhecerão os vencedores das urnas.

Meu domingo eleitoral tem um ritual próprio. Por volta das dez horas, meu filho Ricardo, acompanhado de seu genro e de uma cuidadora, levam-me até uma escola próxima de casa onde voto.

Dispensado das filas pela idade, rapidamente cumpro minha obrigação e retorno ao sossego do lar. Almoço, desfruto de uma boa sesta e, ao despertar, ligo a televisão para acompanhar o noticiário.

A apuração eletrônica transformou as eleições. Aquela antiga demora na contagem dos votos foi substituída pela rapidez dos resultados.

Às dezoito horas de Brasília, dezessete de Cuiabá, começa a divulgação dos números que decidirão o futuro político do país.

Desta vez não pretendo escrever minha crônica dominical. Reservarei meu tempo para acompanhar as análises políticas das principais emissoras.

Confesso, entretanto, que minha paciência anda curta com certos comentaristas. Alguns parecem mais preocupados em defender suas preferências do que em esclarecer os acontecimentos.

No futebol, acontece coisa semelhante. Há narradores e comentaristas que mal conseguem esconder o clube do coração. E olha que, como botafoguense apaixonado, entendo muito bem o significado de uma paixão!

Mas eleição é assunto sério. Entre comemorações e decepções, o domingo terminará deixando vencedores e vencidos.

Na segunda-feira o país despertará com a inevitável ressaca eleitoral. Uns estarão felizes. Outros, contrariados.

Todos, porém, continuarão brasileiros, dividindo as mesmas esperanças. Daqui a dois anos, estaremos novamente diante das urnas. Porque a democracia tem essa beleza: os governos passam, as eleições se repetem, mas a esperança de um país melhor permanece.

Gabriel Novis Neves é médico e fundador da UFMT

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