6 formas de ajudar seu filho a confiar nas próprias tentativas

6 formas de ajudar seu filho a confiar nas próprias tentativas
Imagem Pessoal

Andréa Fernandes da Rocha

“Está certo?”

Algumas crianças fazem essa pergunta antes mesmo de terminar aquilo que estão fazendo. Desenham e querem saber se ficou bonito. Escolhem uma roupa e procuram no rosto do adulto algum sinal de aprovação. Começam uma atividade e logo perguntam se estão fazendo do jeito certo.

Em alguns momentos, isso é absolutamente esperado. Crianças precisam de orientação, confirmação e ajuda dos adultos. O que merece atenção é quando a necessidade de aprovação aparece quase o tempo todo e a criança parece ter dificuldade para confiar naquilo que pensa, escolhe ou faz sem antes consultar alguém.

Nesses casos, talvez seja interessante inverter a pergunta: em vez de pensar apenas por que aquela criança é insegura, podemos observar também como têm sido construídas as experiências dela diante das tentativas, escolhas e erros.
Algumas crianças são muito cobradas ou corrigidas. Outras recebem tanta ajuda que quase não têm tempo para descobrir o que conseguem fazer. Há ainda aquelas que convivem com grande valorização do resultado e passam a perceber o erro como algo que precisa ser evitado.

Isso não significa que os adultos estejam fazendo algo deliberadamente prejudicial. Muitas vezes, antecipamos uma resposta, corrigimos rapidamente ou fazemos pela criança justamente porque queremos ajudá-la. Em outros momentos, simplesmente estamos com pressa.

Mas pequenas mudanças no cotidiano podem ampliar o espaço para a criança experimentar, pensar e participar.
Nem sempre responda imediatamente ao “está certo?”

Quando não existe uma resposta objetivamente certa ou errada, experimente esperar alguns segundos e devolver a pergunta:

“E você, o que acha?”

“Você gostou?”

“Tem alguma coisa que gostaria de mudar?”

A intenção não é negar a validação de que a criança precisa, mas permitir que, antes de procurar exclusivamente a percepção do adulto, ela comece também a consultar a própria.

Dê tempo para que ela perceba o que não funcionou

Às vezes, o adulto identifica um erro e imediatamente diz: “Não é assim”.

Mas e se esperássemos um pouco?

Uma peça colocada no lugar errado, uma estratégia que não funcionou ou uma tarefa iniciada de um jeito pouco eficiente também podem produzir aprendizagem.

Quando a situação é segura e permite tentativa e erro, alguns segundos a mais podem dar à criança a oportunidade de observar, testar outra possibilidade e descobrir uma solução.

Antes de fazer por ela, descubra de que ajuda ela realmente precisa

Existe uma diferença importante entre ajudar e assumir uma atividade.

Em vez de simplesmente terminar aquilo que ficou difícil, podemos perguntar:

“Quer ajuda?”

“Qual parte está difícil?”

“O que você já tentou?”

“Quer que eu faça esta parte com você?”

A criança pode precisar de apoio e continuar participando daquilo que está fazendo. Pedir ajuda também faz parte da autonomia.

Fale também sobre o processo, não apenas sobre o resultado

“Acertou!”

“Ficou lindo!”

“Perfeito!”

Não há problema algum em elogiar. Mas, se nossa atenção estiver sempre concentrada no resultado, podemos perder oportunidades interessantes de conversar sobre aquilo que aconteceu durante a experiência.
Podemos observar, por exemplo:

“Você tentou de outro jeito quando o primeiro não funcionou.”

“Você ficou frustrado, mas conseguiu continuar.”

“Você percebeu que precisava de ajuda e me chamou.”

Assim, a criança começa a reconhecer não apenas aquilo que conseguiu produzir, mas também os recursos que utilizou durante o caminho.

Permita escolhas diferentes das suas

Queremos que as crianças aprendam a escolher, mas nem sempre é fácil quando a escolha delas é diferente daquela que faríamos.

Se oferecemos duas roupas adequadas e a criança escolhe justamente aquela de que gostamos menos, é realmente necessário convencê-la a trocar?

Quando não há uma questão de segurança, saúde ou algum limite importante envolvido, pequenas escolhas cotidianas podem ser oportunidades para descobrir preferências e perceber que elas podem ser expressas.

Construir confiança também passa por experimentar: “Eu gosto disso.” “Eu prefiro aquilo.” “Eu penso diferente.”
Não transforme toda dificuldade em algo que precisa ser evitado

Ver uma criança frustrada pode despertar rapidamente em nós o desejo de resolver a situação.
Mas nem toda frustração precisa ser eliminada.

Há uma diferença entre deixar uma criança sozinha diante de algo que ainda não consegue enfrentar e permanecer disponível enquanto ela experimenta uma dificuldade possível.

Podemos estar por perto sem assumir imediatamente.

Às vezes, a melhor ajuda é justamente aquela que permite que a criança continue participando.

Não se trata de criar uma criança que nunca precise da opinião dos outros

Todos nós precisamos de confirmação, orientação e ajuda em diferentes momentos da vida. Portanto, o objetivo não é fazer com que a criança deixe de perguntar “está certo?” nem responder a essa pergunta com outra pergunta todas as vezes.

O que podemos observar é se existe espaço suficiente para que ela também experimente, escolha, erre, mude de ideia, peça ajuda e descubra o que pensa sobre aquilo que está fazendo.

Como terapeuta ocupacional, considero especialmente importante observar não apenas se uma criança consegue realizar determinada atividade, mas como ela participa dela.

Ela inicia? Experimenta? Faz escolhas? Muda de estratégia? Pede ajuda? Consegue receber apoio e continuar envolvida?

Essas pequenas experiências cotidianas também participam da construção da confiança.

Talvez uma criança não precise aprender que sempre conseguirá acertar.

Precise descobrir algo diferente: que pode tentar mesmo sem ter certeza de que vai acertar — e que um erro não encerra suas possibilidades.

E talvez, aos poucos, aquele frequente “está certo?” possa algumas vezes dar lugar a uma frase muito simples:

“Acho que vou tentar assim.”

Andréa Fernandes da Rocha – Terapeuta ocupacional, atua com desenvolvimento infantil e parentalidade e é autora de Pequenos e Decisivos Passos na Infância, pela Alta Books e Cuidado Precisa de Chão – Coletânea de Saúde – Umanos Editora.

Instagram: @andrea.desenvolvimentoinfantil

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Astrogildo Aécio Nunes

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