Rosa + Azul = Agosto Lilás

Emirella Martins
Em 2022, entrou em vigor a Lei n.º 14.448, que instituiu em todo o país a campanha Agosto Lilás, voltada à conscientização pelo fim da violência contra a mulher.
Anualmente, as ações de enfrentamento são intensificadas. Embora a Lei Maria da Penha seja a grande referência para a escolha do mês de agosto, o alcance dessa campanha deve ir muito além das relações afetivas ou parentais, ampliando-se para o combate a todo e qualquer tipo de violência de gênero.
Para que o movimento seja efetivo, a União, estados e municípios precisam realizar ações integradas com a rede de atendimento. Atividades como a divulgação da legislação de proteção às mulheres devem superar o mero reforço de sua existência: o foco central precisa ser a orientação prática sobre as medidas de defesa, os canais de denúncia e como acessá-los de forma segura.
A norma também acerta ao prever o apoio — mesmo que estritamente técnico — às ações organizadas pela própria sociedade civil.
Contudo, a missão mais desafiadora da campanha é sensibilizar uma sociedade em que o machismo está profundamente enraizado em estruturas culturais, históricas e sociais que normalizam comportamentos abusivos. Não se trata apenas de combater crimes isolados, mas de desconstruir uma visão de mundo secular que ainda impõe forte resistência às mudanças necessárias.
Por essa razão, as políticas públicas mais eficientes na busca pela igualdade real são aquelas que envolvem a educação de crianças, jovens e adultos. Projetos pedagógicos contínuos, coordenados e não limitados apenas ao mês do Agosto Lilás, são o único caminho viável para transformar essa realidade e construir uma sociedade genuinamente segura para todas as mulheres.
É necessário também expandir o alcance dos grupos reflexivos para homens autores de violência, consolidando a reeducação de adultos como pilar central no enfrentamento à violência de gênero. Mais do que punir, precisamos aumentar a capacidade de prevenção, especialmente envolvendo os homens neste processo. Esse trabalho fundamental permite que, por meio da autorreflexão profunda, o homem compreenda o impacto de seus comportamentos — tanto em relação a si mesmo quanto em sua convivência com as mulheres —, quebrando ciclos históricos de agressão.
Seja como for, ainda estamos distantes de tornar a sociedade mais igualitária e segura para mulheres. Por isso, devemos começar o quanto antes, iniciando com as pessoas que fazem parte da nossa convivência.
Emirella Martins – Coronel da Reserva Remunerada da PMMT, Mestranda em Violencia Doméstica y de Género, Pós-Graduada e palestrante e consultara na área. Instagram @emirellamartins
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