Vida para além da morte

Vida para além da morte
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DEUSDÉDIT DE ALMEIDA

Dia de finados lembramos os entes queridos que já partiram para a casa do Pai e se encontram na plenitude da vida. Pois, a morte não interrompe a vida. Não é passageira ilusão.

Não é a destruição final. Mas é o coroamento e a plenificação da vida no encontro com Deus. Porquanto, Deus nos criou para a vida plena e não para a morte. Não nascemos para morrer, mas morremos para viver. Entretanto, devemos sempre lembrar que a vida eterna começa aqui e agora. Quem vive com Deus neste mundo viverá com Ele eternamente.

Quem vive com Cristo nesta vida, viverá com Ele na outra vida. Quem vive no amor e na harmonia com seus irmãos, continuará na outra vida na plenitude do amor.

Quem vive uma vida reconciliada e pacificada com seus irmãos, também, continuará na outra vida na perfeita reconciliação. Por isso, a hora de amar a Deus e servir os irmãos é agora. A hora de fazer o bem é agora. Como bem afirmou o sambista Nelson Cavaquinho: “flores, carinhos, mão amiga, eu quero em vida.

Quando eu morrer, só quero preces e nada mais!” Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje! Pois, o amanhã pode não acontecer! No momento do encontro final com Deus, de nada vale o dinheiro, o sucesso, o prestígio, a beleza, a fama etc. Mas, o que conta são nossas boas obras e a retidão do viver.

Levaremos em nossa bagagem, o bem que realizamos ao longo da vida. Sobretudo para os mais pobres. Pois, assim nos diz o sacrossanto livro: “Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive com fome e me deste de comer. Tive sede e me deste de beber.

Estive nu e me vestistes” (Mt,25,34). Esta passagem bíblica nos revela que o critério para o julgamento final, será o exercício do amor, da caridade e solidariedade para com o próximo, sobretudo, os mais pobres e excluídos do banquete da vida. Temos urgência de encontrá-los como irmãos neste mundo, antes de termos de nos defrontar com eles como nossos juízes diante de Deus! Por isso, o pobre necessitado que bate a nossa porta, além de testar a nossa caridade cristã, pode se transformar num canal ou instrumento de nossa salvação. Frederico Ozanan afirmou: “Precisamos olhar para o pobre como alguém que é igual ou superior a nós. Porque ele suporta aquilo que nós não suportamos: fome, miséria, doenças, falta de moradia e conforto material”.

É precisamente por isso que, no dia de finados, os Vicentinos (as), promovem um grande mutirão de coletas nos Cemitérios em favor dos pobres assistidos por eles.

Não esqueçamos que para os mortos não bastam oferecer flores, velas e visitas aos Cemitérios. Precisamos oferecer orações, súplicas de perdão, sacrifícios e esmolas aos pobres (caridade). São estes gestos cristãos que agradam a Deus e retornam para nossas vidas em forma de bênção, de alegria e conforto espiritual.

A santa missa, sacrifício eucarístico, é sem dúvida o maior presente aos mortos. A Igreja oferece o sacrifício eucarístico da páscoa de Cristo e eleva a Deus suas orações e sufrágios pela salvação de todos os fiéis defuntos. O sangue do Senhor foi derramado para a salvação de todos! No dia de finados devemos refletir sobre a finitude da nossa vida.

A vida humana tem três etapas: a primeira etapa são os nove meses no ventre materno; a segunda etapa é a existência neste mundo, que é passageira; a terceira etapa é a eternidade ou mansão dos justos, que é preparada neste mundo.

As visitas aos cemitérios são manifestações de fé, de carinho e gratidão para comos antepassados falecidos. Hoje rezamos por eles; amanhã, com certeza, outros rezarão por nós.

Que as almas de todos os fiéis defuntos, pela infinita bondade e misericórdia de Deus, descansem para sempre na paz de Cristo!

Deusdédit de Almeida é padre da Catedral.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do A & F News.

Astrogildo Aécio Nunes

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