Tumba encontrada na Turquia pode pertencer a antigo lutador; veja fotos

Tumba encontrada na Turquia pode pertencer a antigo lutador; veja fotos
A sepultura encontrada em Aspendos, na Turquia, ajuda os pesquisadores a entender melhor os costumes funerários e a estrutura social da cidade naquele período — Foto: Ministry of Culture and Tourism of the Republic of Turkey

Uma sepultura de aproximadamente 2,4 mil anos pode ter pertencido a um atleta — talvez até a um lutador — na antiga cidade de Aspendos, na atual Turquia. O túmulo foi encontrado durante escavações em uma necrópole que até então não era conhecida pelos arqueólogos e continha um esqueleto humano acompanhado de moedas de prata com imagens de lutadores.

A descoberta ocorreu na chamada Necrópole Oriental de Aspendos, uma área funerária identificada pela primeira vez durante as escavações. O túmulo é em forma de caixa, formado por placas de pedra, e foi datado entre o último quarto do século 5 a.C. e o século 4 a.C., período correspondente à fase clássica da cidade.

Em comunicado, o Ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, afirmou que os objetos encontrados na sepultura indicam que a pessoa enterrada poderia ter alguma relação com atividades esportivas. Entre as peças estavam moedas de Aspendos que apresentam representações de lutadores, levando os pesquisadores a considerar a possibilidade de que o indivíduo fosse um lutador originário da própria cidade.

A hipótese, porém, ainda não pode ser tratada como uma identificação definitiva. Embora as moedas tenham imagens de lutadores, não está claro se a pessoa enterrada realmente praticava a modalidade.

Em entrevista ao site Live Science, a historiadora Sarah E. Bond, da Universidade de Iowa, que não participou da descoberta, afirmou que seria necessária uma análise mais detalhada do esqueleto, para identificar possíveis marcas relacionadas à prática esportiva. Ela citou como possibilidade a presença de sinais de uma fratura no nariz que tivesse cicatrizado, algo que poderia indicar que a pessoa havia sido atleta.

Vista completa do esqueleto humano encontrado — Foto: Ministry of Culture and Tourism of the Republic of Turkey
Vista completa do esqueleto humano encontrado — Foto: Ministry of Culture and Tourism of the Republic of Turkey
A escavação revelou o esqueleto humano e diversas moedas de prata dentro da sepultura — Foto: Ministry of Culture and Tourism of the Republic of Turkey
A escavação revelou o esqueleto humano e diversas moedas de prata dentro da sepultura — Foto: Ministry of Culture and Tourism of the Republic of Turkey

Moedas revelam a importância da luta

A associação entre a sepultura e a luta não surgiu apenas por causa de uma representação encontrada por acaso. Aspendos produzia suas próprias moedas de prata, conhecidas como estáteres, que traziam a imagem de dois lutadores nus em um dos lados. Essas moedas foram produzidas durante mais de um século.

Para o arqueólogo Oğuz Tekin, da Universidade Koç, a longa presença desse tipo de representação na produção de moedas da cidade sugere que a luta livre tinha importância cívica em Aspendos.

Ainda assim, as moedas não eram objetos exclusivos de atletas. Como explicou Bond ao Live Science, elas circulavam entre a população em geral e eram utilizadas como forma de pagamento. Por isso, a simples presença das peças no túmulo não permite concluir que o morto fosse um lutador.

Uma cidade com história

Mais do que a possível identificação de um antigo esportista, a descoberta amplia o que se sabe sobre Aspendos durante seu período clássico. A cidade tinha, até agora, uma representação arqueológica mais limitada dessa fase de sua história.

A nova necrópole foi encontrada ao longo de uma rua que seguia a encosta desde as muralhas orientais em direção ao antigo Teatro de Aspendos. Dentro dela, além da sepultura, os arqueólogos encontraram materiais que ajudam a compreender como os habitantes da cidade enterravam seus mortos e como era organizada sua sociedade naquele período.

“Com cada nova descoberta em Aspendos, continuaremos a completar as páginas que faltam em nossa história, a proteger nosso patrimônio cultural por meio de estudos científicos e a levá-lo para o futuro”, afirmou Ersoy, em comunicado.

(Por Sarah Macedo)

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?