Soberba, invasão digital e sujeira nas ruas: a farra da propaganda irregular que irrita o eleitor em Mato Grosso

Soberba, invasão digital e sujeira nas ruas: a farra da propaganda irregular que irrita o eleitor em Mato Grosso
Com IA para triar denúncias, Justiça Eleitoral agiliza punição a candidatos que poluem as redes e o patrimônio público.- Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Se a propaganda eleitoral deveria servir para apresentar propostas, no chão da rua e no feed do celular ela tem servido mesmo é para tirar o eleitor do sério.

Em Mato Grosso, a corrida por uma cadeira na Assembleia Legislativa virou o epicentro do desrespeito às regras: dos 191 registros de propaganda irregular feitos no aplicativo “Pardal” até esta segunda-feira (7), impressionantes 126 apontam o dedo para candidatos a deputado estadual.

É mais de 65% de todo o entulho eleitoral denunciado no estado. Os postulantes à Câmara Federal vêm logo atrás, com 36 ocorrências, provando que a disputa proporcional virou uma verdadeira terra sem lei na visão do cidadão comum.

Do feed poluído ao poste ‘premiado’

A época em que o abuso se resumia ao derramamento de santinhos na véspera do pleito ficou para trás. Hoje, o excesso migrou para a tela do smartphone, mas sem abandonar a velha manca de emporcalhar o patrimônio público:

O calvário na tela (50 queixas): A propaganda irregular na internet lidera o ranking do incômodo. São disparos em massa não autorizados, anúncios clandestinos e impulsionamentos ilegais que invadem a privacidade do eleitor a qualquer hora do dia.

Apropriação do bem público (34 queixas): Candidatos insistem em colar faixas e cartazes em prédios da administração, postes e estruturas que pertencem a toda a sociedade.

Poluição sonora e visual nas ruas (30 queixas): De carros de som estourando os decibéis em horários proibidos a cavaletes travando calçadas, a falta de bom senso nas vias públicas garante a terceira posição no ranking de broncas.

Cuiabá e Sinop puxam a fila da indignação

A disposição do mato-grossense para fiscalizar não é igual em todo lugar. A Capital lidera com folga a lista da patrulha cidadã, somando 61 denúncias. No entanto, o interior não fica atrás: Sinop, o pujante polo do Norte, cravou 31 notificações e deixou para trás cidades bem mais populosas, como Rondonópolis (12 queixas) e Várzea Grande (4 registros).

A novidade da temporada 2026 é que a malandragem encontra uma barreira bem mais rápida. O aplicativo Pardal foi turbinado com Inteligência Artificial para fazer a triagem automática de fotos, vídeos e áudios enviados pelos cidadãos.

Com a tecnologia, a denúncia feita pelo e-Título ou Gov.br não mofa nas gavetas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT): ela é classificada em segundos e despachada direto para as mãos dos juízes e promotores eleitorais. Para o candidato que achava que passaria despercebido na poeira do interior ou na imensidão da internet, o recado é claro: o eleitor virou fiscal, e a conta da irregularidade chega rápido.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

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