Relatório do Gaeco aponta secretária como “guardiã” de gravações para chantagear vereadores

A secretária da Câmara de Várzea Grande, Lorineide Aparecida Trindade Inhan, conhecida como “Lori”, é citada em depoimento do vereador Caio Cordeiro (Novo) ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como “pessoa de estreita confiança” do presidente Wanderley Cerqueira (MDB) que guardava gravações de conversas entre os parlamentares, objeto de investigação da Operação Cathedra Venalis.
Segundo o relato, as gravações eram utilizadas para fazer pressão sobre os vereadores, os chantageando em troca de apoio político. Ainda conforme Caio, Wanderley não assinava contratos e negociações antes de passar por ela.
“Lori” aparece no contexto de relatos sobre um escritório instalado na casa da mãe de Wanderley Cerqueira, mesmo local onde o presidente da Câmara guardava sacolas de dinheiro que seriam repassadas aos vereadores.
Caio Cordeiro também afirmou que foi ameaçado com a divulgação de uma gravação em que recebia dinheiro. Segundo seu depoimento, ele fez empréstimos com Dr. Miguel (Cidadania) e Bruno Rios (PL) e temia que o episódio associado a operação do Gaeco, manchando sua reputação.
O vereador relatou ainda que Wanderley ofereceu R$ 100 mil para obter seu voto na eleição da Mesa Diretora. O inquérito também reúne o relato de uma “testemunha sem rosto”, que descreveu um suposto esquema de pagamento mensal de R$ 10 mil a vereadores, chamado de “mensalinho”, para assegurar apoio político.
Em outro trecho do depoimento de Caio, o parlamentar afirmou que Wanderley receberia uma suposta “quebra” de R$ 200 mil de uma empresa de transporte para manter sua base política. O vereador, porém, ressalvou que não tinha como comprovar se outros parlamentares recebiam os pagamentos mensais mencionados na investigação.
OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada na terça-feira (20) e cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A ação mobilizou mais de 200 agentes e teve como alvos 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A força-tarefa reúne o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Gaeco, além das polícias Militar, Civil e Penal e do Sistema Socioeducativo.
Entre os vereadores de Várzea Grande citados na operação estão Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP) e Gisa Barros (Podemos).
As suspeitas seguem sob investigaçã
(HNT)






