Portas de Hollywood se abrem para cineasta cuiabano após apoio de produtora de Viola Davis

Portas de Hollywood se abrem para cineasta cuiabano após apoio de produtora de Viola Davis
Cinco Tipos de Medo, filme de Bruno Bini com Bela Campos e Xamã

Durante décadas, o caminho entre Cuiabá, em Mato Grosso, e Hollywood, nos Estados Unidos, pareceu uma distância impossível de ser percorrida. No máximo, talvez, viagens de turismo. Neste ano, porém, um cineasta mato-grossense deu um passo que poucos brasileiros conseguiram alcançar. O diretor cuiabano Bruno Bini, responsável pelo longa ‘Cinco Tipos de Medo’, acaba de ver seu trabalho receber um dos mais importantes selos de reconhecimento internacional possíveis: a entrada da produtora Ashé Ventures.

Para quem não sabe, a Ashé Ventures foi fundada pela atriz vencedora do Oscar Viola Davis, seu marido Julius Tennon e o empresário brasileiro Maurício Mota. Ela integra um grupo extremamente restrito de artistas que conquistaram Oscar, Emmy, Tony e Grammy. Sua influência alcança estúdios, plataformas de streaming, distribuidores, agentes internacionais e votantes das principais premiações do cinema.

A partir de agora, será essa grife a produtora executiva do filme. Ou seja, a chegada da Ashé coloca a produção mato-grossense em uma nova dimensão. O filme do cineasta cuiabano passa a ser representado internacionalmente pela Malin Entertainment, empresa especializada em distribuição e campanhas para grandes premiações, incluindo a corrida ao Oscar.

O acerto com o grupo Viola Davis é um feito. Bruno Bini construiu sua trajetória longe dos grandes centros tradicionais do audiovisual brasileiro. Enquanto boa parte da indústria nacional se concentra nos eixos Rio-São Paulo e Recife, o cineasta desenvolveu sua carreira em Mato Grosso, apostando em histórias ligadas ao território, à cultura regional e a personagens frequentemente ausentes das grandes telas.

Ao longo dos últimos anos, tornou-se um dos nomes mais respeitados da nova geração do cinema brasileiro independente. Seu trabalho ganhou projeção nacional com produções que combinam identidade regional, linguagem contemporânea e forte apelo visual, características que se consolidaram como marca autoral do diretor.

Agora, com ‘Cinco Tipos de Medo’, Bini alcança o momento mais importante de sua carreira. Todavia, com uma perspectiva peculiar, o cineasta cuiabano é taxativo sobre suas expectativas e mantém firme os dois pés no chão:

“Mais do que qualquer ideia de sucesso, o que sempre me motivou foi levar essas histórias para o maior número de pessoas possível. Eu sempre desejei que meus filmes estabelecessem um diálogo com uma audiência ampla, tanto dentro do país quanto internacionalmente – observou. A entrada da Ashé no projeto vai ajudar a ampliar as possibilidades de circulação e de encontro do filme com novos públicos”.

.O longa é inspirado em um episódio real ocorrido no bairro Jardim Novo Colorado, em Cuiabá. A trama acompanha Marlene, interpretada por Bella Campos, uma enfermeira dividida entre o amor e o risco, e Sapinho, personagem vivido por Xamã, um traficante que, apesar da trajetória criminal, era visto por moradores como uma espécie de protetor da comunidade.

A história parte de um acontecimento que chamou atenção em Mato Grosso: moradores se mobilizaram para arrecadar recursos destinados ao pagamento da fiança de um líder comunitário envolvido com o crime, temendo que sua ausência deixasse a região vulnerável à violência de facções rivais.

“Mais do que qualquer ideia de sucesso, o que sempre me motivou foi levar essas histórias para o maior número de pessoas possível.”

Bruno Bini, cineasta cuiabano

 

Além de Cuiabá, a produção foi filmada também em Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger. O projeto mobilizou mais de 180 profissionais de nove estados brasileiros.

O resultado chamou a atenção da crítica. No Festival de Cinema de Gramado, principal vitrine do cinema nacional, “Cinco Tipos de Medo” conquistou quatro Kikitos: Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Ator Coadjuvante para Xamã.

Por enquanto, à rigor, ninguém sabe até onde “Cinco Tipos de Medo” poderá chegar. Mas uma coisa já parece certa: as portas que se abriram para o cineasta cuiabano conduzem diretamente ao circuito onde se decide o futuro do cinema mundial. E um fato: “Cinco Tipos de Medo” passa a integrar o radar da indústria global.

(Edilson Almeida | Redação RDM Brasil)

Astrogildo Aécio Nunes

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