Política sem patrimônio: Barbudo chega à nova eleição com bens menores que há quatro anos: “Não é prioridade”

Depois de anos exercendo mandato na Câmara dos Deputados, Nelson Barbudo (Podemos) chega à nova disputa eleitoral com uma particularidade em sua declaração de bens: seu patrimônio é hoje menos da metade daquele informado na eleição de 2022.
A relação preparada para o registro da candidatura soma R$ 130 mil em bens. Há quatro anos, eram R$ 285,8 mil. A redução nominal chega a R$ 155,8 mil, ou 54,5%.
Barbudo evita tratar o dado como demonstração de virtude pessoal. Para ele, a explicação está na maneira como sempre encarou a atividade pública.
“Nunca me preocupei em formar patrimônio. Também não acho que ter patrimônio seja problema ou que isso faça alguém melhor ou pior. No meu caso, simplesmente nunca foi uma prioridade. Quando entrei para a política, seguindo os ideias do presidente Jair Bolsonaro, entrei para trabalhar, defender aquilo em que acredito e os interesses da população”, afirmou.
A declaração atual é enxuta. São três bens: uma Toyota Hilux SW4 2011, avaliada em R$ 110 mil; a quarta parte de um terreno em Poloni, interior de São Paulo, recebida por herança e avaliada em R$ 17,5 mil; e um reboque de R$ 2,5 mil.
A situação de Nelson Barbudo chama atenção justamente no momento em que a evolução patrimonial dos candidatos voltou a ocupar espaço no noticiário eleitoral de Mato Grosso. Levantamentos publicados nos últimos dias, com base nas declarações apresentadas à Justiça Eleitoral, revelaram casos de crescimento expressivo de patrimônio entre candidatos no Estado.
Os números, por si só, não representam qualquer irregularidade e tampouco permitem estabelecer juízo sobre a conduta dos candidatos. Servem, entretanto, para dimensionar uma característica da trajetória patrimonial de Barbudo: no mesmo intervalo de quatro anos, seus bens percorreram o caminho inverso, recuando de R$ 285,8 mil para R$ 130 mil.
O próprio deputado diz não enxergar a redução como algo a ser comemorado ou usado para estabelecer comparação pessoal com outros candidatos.
“Cada pessoa constrói sua vida como entende. De minha parte, só posso falar da minha. Dinheiro e patrimônio nunca foram a razão para eu estar na política”, afirmou.
A trajetória eleitoral mostra oscilações. Em 2018, quando conquistou pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados, Barbudo declarou R$ 2,5 mil em bens. O valor chegou a R$ 285,8 mil em 2022 e, na relação preparada para a eleição deste ano, recua para R$ 130 mil.
Para Barbudo, porém, o balanço de seus anos de vida pública deve ser procurado em outro lugar.
“Se eu tiver que prestar contas do que construí nesses anos, prefiro falar do que consegui fazer pelas pessoas e pelos municípios de Mato Grosso. Esse é o patrimônio que interessa quando termina um mandato.”






