Maurício Coelho questiona contrato do Hospital Central: “Recebem R$ 35 milhões, gastam 17 e ficam com o resto”

O candidato ao governo de Mato Grosso, Maurício Coelho, utilizou suas redes sociais para expor uma grave distorção financeira na gestão do novo Hospital Central, em Cuiabá.
Analisando as contas da unidade, Coelho revelou um descompasso milionário entre o que o Governo do Estado transfere e o que é efetivamente utilizado no atendimento à população.
“A OS que administra o Hospital Central recebeu no último mês que prestou contas, 35 milhões para custeio da operação. Gastou só 17. O resto é sobra da OS, não volta pro Estado”, denunciou o candidato.
Para agravar a situação, Maurício Coelho apontou que parte do montante justificado não foi destinado ao paciente. “E olha, gastou 17 e não foi tudo isso com saúde não, tá? Pra se ter uma ideia, 680 mil reais com viagens e passagens aéreas”, destacou no vídeo.
O custo cirúrgico mais caro do Brasil
A consequência de manter uma estrutura operando no vazio com um orçamento fixo milionário reflete-se diretamente no custo final. Coelho apresentou um levantamento mostrando que, entre janeiro e agosto de 2026, o Estado transferiu R$ 255 milhões exclusivamente para o custeio do hospital. Nesse mesmo período, a unidade realizou 2 mil eventos cirúrgicos, englobando todo o pacote de triagem, internação e UTI.
“Isso significa um pacote cirúrgico de 127 mil reais”, cravou o candidato, lembrando que esse valor exclui os R$ 190 milhões de equipamentos e os R$ 50 milhões do pré-operacional. Segundo ele, o montante é um descalabro quando comparado ao mercado e às auditorias federais. “A gente tá pagando 127 mil por pacote cirúrgico, quando a iniciativa privada faria fila se o Estado oferecesse 30, 35, 40 mil”.
Para ilustrar o peso financeiro dessa ineficiência para o pagador de impostos, Maurício Coelho fez uma comparação direta com a rede particular de luxo na capital paulista: “Se alguém fizesse o absurdo de contratar aviões, e colocar ali dentro os pacientes e levar esses pacientes para os melhores hospitais de São Paulo, sairia mais barato do que tá saindo custear o Hospital Central.”
Ociosidade blindada pelo contrato
Para o candidato, a raiz do problema está na modelagem do contrato, que não estimula a produção e blinda a organização social. “O Hospital Central foi criado com um contrato feito pra dar prejuízo. Porque 90% do pagamento é fixo, não interessa quantas cirurgias fizerem”, explicou.
Maurício Coelho reforça a necessidade de auditar os repasses e atrelar os pagamentos à efetiva prestação do serviço, priorizando o fim das filas de regulação. “O que a gente tá vendo é um modelo de enganação com o eleitor. O hospital tá lindo gente, mas tá lindo pra passar na filmagem. A cirurgia lá tá mais cara que no Albert Einstein de São Paulo”, concluiu.






