Liminar do TJMT suspende votação sobre mudança regimental na Câmara de Cuiabá

Liminar do TJMT suspende votação sobre mudança regimental na Câmara de Cuiabá
Donato Aquino/Câmara de Cuiabá

Uma decisão liminar proferida pelo desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), suspendeu, nesta quarta-feira (15) a votação do Projeto de Resolução nº 31.173/2026, que estava prevista para ocorrer nesta quinta-feira (16) na Câmara Municipal de Cuiabá. A medida atende a um agravo de instrumento interposto pelo vereador Marcus Brito Júnior (PV), autor da proposta, que questiona a exigência de quórum qualificado de dois terços, sendo 18 votos, para a aprovação da matéria.

O magistrado determinou que o projeto não seja levado ao plenário até o julgamento do mérito do recurso, visando evitar que a proposta seja rejeitada com base em um quórum cuja constitucionalidade está sendo discutida judicialmente.

O vereador Marcus Brito sustenta que a Lei Orgânica do Município estabelece que as deliberações devem ocorrer por maioria de votos, salvo exceções previstas na própria lei ou na Constituição, e que o Regimento Interno, por ser uma norma subordinada, não poderia criar uma exigência de dois terços para sua própria alteração.

Em sua decisão, o desembargador Kono vislumbrou a probabilidade do direito e a urgência, uma vez que, se a votação ocorresse hoje e o projeto obtivesse maioria absoluta, mas não atingisse os 18 votos, a matéria seria arquivada, causando um dano possivelmente irreversível ao processo legislativo.

Este novo revés judicial ocorre em um momento de intenso desgaste nas articulações políticas da Casa. Na última terça-feira (14), o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) favorável ao projeto foi aprovado por um placar apertado de 13 votos a 12.

O resultado expôs que o grupo governista, liderado pela atual presidente Paula Calil (PL), embora possua a maioria absoluta, ainda está distante de reunir os 18 apoios necessários exigidos pela regra atual para viabilizar a alteração regimental que permitiria sua reeleição na mesma legislatura. Calil afirmou que o grupo recebe a decisão com tranquilidade e seguirá “firme” na estratégia política.

Enquanto o mérito das ações não é julgado pelo TJMT, a exigência de 18 votos para qualquer mudança no Regimento Interno permanece válida em tese, mas a votação específica do projeto de recondução segue suspensa.

O cenário mantém as articulações para a próxima eleição da Mesa Diretora sob incerteza, dividindo o plenário entre os aliados da atual gestão e o bloco de oposição, que caminha com a candidatura de Ilde Taques (Podemos).

Astrogildo Aécio Nunes

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