Indústrias de água mineral operam com capacidade ociosa em Mato Grosso e cobram socorro contra burocracia

Indústrias de água mineral operam com capacidade ociosa em Mato Grosso e cobram socorro contra burocracia
água mineral- Imagem: Ilustrativa

Com um dos maiores aquíferos do país, Mato Grosso ainda enfrenta barreiras para transformar a abundância de água mineral em desenvolvimento econômico.

Pressionadas por burocracia excessiva, custos de frete e alta carga sobre insumos, indústrias locais trabalham bem abaixo do seu potencial, deixando de gerar centenas de empregos no interior do estado.

O cenário foi levado ao debate na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pela Câmara Setorial Temática (CST) da Mineração, que começou a mapear os gargalos enfrentados pelas engarrafadoras locais.

Burocracia de anos e fábrica operando no limite mínimo

A saga da indústria Água Sapoti, instalada em Chapada dos Guimarães, reflete o gargalo do setor. A fonte de água naturalmente fluoretada foi descoberta nos anos 1990, mas o processo de licenciamento e autorizações arrastou-se até 2015 para que a fábrica entrasse em operação.

Mesmo estruturada, a unidade opera atualmente com apenas 25% a 30% da capacidade instalada, empregando 20 trabalhadores.

  • Falta de Mercado e Custos: Fretes caros e insumos pesados no orçamento impedem a expansão para outras regiões e países do Mercosul;
  • Empregos Travados: A estimativa do setor é de que, se atingisse 75% da produção, a unidade poderia quadruplicar o número de funcionários;
  • Regulamentação Rigorosa: Ajustes diários em licenças e análises laboratoriais tornam a rotina operacional um entrave contínuo para os empresários.

Setor pressiona por mudanças no Código de Mineração e tributos

Embora a água seja enquadrada legalmente no setor de mineração, os produtores cobram um tratamento diferenciado. A intenção do colegiado na ALMT é reunir as demandas das empresas para propor medidas de simplificação nos órgãos ambientais e rever taxas que encarecem o produto mato-grossense na comparação com marcas de outros estados.

A expectativa do setor é que os relatórios técnicos resultem em projetos de lei ou indicação de incentivos fiscais para garantir que as indústrias locais consigam competir no mercado regional.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

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