Impacto de meteoro pode ter feito chover ouro na Austrália

Impacto de meteoro pode ter feito chover ouro na Austrália
Pesquisadores descobriram que a queda do asteroide na Australásia levou à formação de uma cratera de 4 km de diâmetro há 790 mil anos. Como publicaram em 9 de junho em um artigo da revista Meteoritics and Planetary Science, a colisão gerou grandes quantidades de ouro.O local do impacto é próximo à cidade de Ora Banda – “faixa de ouro”, em espanhol –, um distrito histórico de mineração de ouro na Austrália. Trata-se de uma das poucas crateras de impacto na terra cujas rochas afetadas pela colisão são verdes, isto é, são rochas vulcânicas metamorfoseadas como o basalto.Leia também: A dignidade menstrual não se limita ao acesso a absorventes Jogue na loteria americana por mais de 300 milhões de dólares theLotter | Links patrocinados Girafa desaparecida coloca EUA em alerta e motiva recompensa de R$ 26 mil; entenda Acontece que essas rochas verdes são importantes para a economia australiana, já que, em algumas delas, há pequenas pepitas de ouro. Outras brechas da região, por outro lado, apresentam apenas vidro e outros minerais.A diferença entre as formações encontradas revela, segundo os pesquisadores, que durante o impacto, enquanto todos os fragmentos de rocha e vidro foram ejetados ao ar, partículas de ouro também podem ter caído de volta na superfície. Em outras palavras, antes de ficarem depositadas nas brechas recém-formadas, gotículas douradas caírem do céu.Cones formados em rochas verdes da estrutura de Ora Banda. À esquerda: cones de estilhaçamento em uma amostra de superfície oxidada; à direita: cones de estilhaçamento encontrados em um testemunho de perfuração — Foto: Aaron Cavosie Cones formados em rochas verdes da estrutura de Ora Banda. À esquerda: cones de estilhaçamento em uma amostra de superfície oxidada; à direita: cones de estilhaçamento encontrados em um testemunho de perfuração — Foto: Aaron Cavosie Uma cratera de impacto verdadeira Até que os pesquisadores comprovassem que a Ora Banda foi a cratera de impacto do asteroide, eles precisaram identificar uma série de confirmações geológicas, chamadas pelos especialistas de “evidências diagnósticas”.O primeiro sinal encontrado foram cones de estilhaçamento, ou seja, estruturas cônicas características das rochas que registram a passagem da onda de choque do impacto. Segundo os cientistas, foram encontradas algumas dessas formações em afloramentos rochosos na superfície da região, o que permitiu que eles concluíssem que a região tinha sido um antigo local de impacto.Outras evidências também foram encontradas. A começar pelos “núcleos de sondagem”, nome confuso para um processo que os geólogos fazem de retirar do subsolo porções de rocha ou solo para investigação geológica ou geotécnica. Eles descobriram que, na verdade, a Ora Banda continha uma variedade de tipos de rochas.A distribuição desses tipos rochosos também variava: sedimentos ricos em argila, por exemplo, estavam mais concentrados no topo, enquanto na base foi observada uma presença maior de brechas originadas pela força do impacto com o asteroide.Nesses casos, “brecha” é o nome dado a qualquer rocha que foi quebrada em fragmentos menores e possui uma matriz de partículas ainda menores que se “colam” umas às outras. Trata-se de uma rocha encontrada com frequência em crateras de impacto, porque as ondas de choque de alta energia podem fazer com que as rochas se estilhacem instantaneamente.Amostra central da brecha (rocha) de impacto de Ora Banda. À esquerda, brecha polimítica (suevita) contendo vidro de impacto preto. À direita, brecha polimítica sem vidro de impacto — Foto: Aaron Cavosie Amostra central da brecha (rocha) de impacto de Ora Banda. À esquerda, brecha polimítica (suevita) contendo vidro de impacto preto. À direita, brecha polimítica sem vidro de impacto — Foto: Aaron Cavosie E olha que as diferenciações ainda não chegaram a um fim, até porque existem diferentes tipos de brechas de impacto. A classificação delas é feita de acordo com o conteúdo que essas rochas contêm em seus núcleos. “Monomíticas”, por exemplo, são brechas formadas por apenas um tipo de rocha, enquanto as “polimíticas” são o resultado da junção de fragmentos oriundos de rochas distintas, tão interpoladas que é como se as rochas tivessem sido misturadas num liquidificador. Ambos os tipos de brecha ocorrem nos testemunhos de sondagem de Ora Banda.Barco voador se move a 150 km/h e quer encurtar viagens na Amazônia Article Photo Espécie de tubarão que anda parcialmente fora d'água é achada na Oceania Article PhotoJá se a brecha contém partículas vítreas – isto é, se parece que tem vidrinhos – fundidas com demais fragmentos de rocha, é conhecida como “suevita”. Esses pequenos “vidros” sugerem que o material fundido foi lançado ao céu quando o meteorito atingiu a Terra, isso porque se supõe que o detrito rochoso voou pelo ar e, com o calor do choque, foi transformado em uma partícula de aspecto vítreo.Além desses tipos de rochas encontradas, os cientistas encontraram evidências microscópicas que confirmam que a Ora Banda é uma cratera de impacto. A primeira delas foram grãos de quartzo deformados de uma maneira exclusiva a dos impactos de meteoritos, enquanto a segunda era um tipo de resíduo de meteorito no vidro, que ocorreu porque o corpo celeste vaporizou e dissolveu em uma das partículas com as quais se fundiu.

Pesquisadores descobriram que a queda do asteroide na Australásia levou à formação de uma cratera de 4 km de diâmetro há 790 mil anos. Como publicaram em 9 de junho em um artigo da revista Meteoritics and Planetary Science, a colisão gerou grandes quantidades de ouro.

O local do impacto é próximo à cidade de Ora Banda – “faixa de ouro”, em espanhol –, um distrito histórico de mineração de ouro na Austrália. Trata-se de uma das poucas crateras de impacto na terra cujas rochas afetadas pela colisão são verdes, isto é, são rochas vulcânicas metamorfoseadas como o basalto.

Acontece que essas rochas verdes são importantes para a economia australiana, já que, em algumas delas, há pequenas pepitas de ouro. Outras brechas da região, por outro lado, apresentam apenas vidro e outros minerais.

A diferença entre as formações encontradas revela, segundo os pesquisadores, que durante o impacto, enquanto todos os fragmentos de rocha e vidro foram ejetados ao ar, partículas de ouro também podem ter caído de volta na superfície. Em outras palavras, antes de ficarem depositadas nas brechas recém-formadas, gotículas douradas caírem do céu.

Cones formados em rochas verdes da estrutura de Ora Banda. À esquerda: cones de estilhaçamento em uma amostra de superfície oxidada; à direita: cones de estilhaçamento encontrados em um testemunho de perfuração — Foto: Aaron Cavosie
Cones formados em rochas verdes da estrutura de Ora Banda. À esquerda: cones de estilhaçamento em uma amostra de superfície oxidada; à direita: cones de estilhaçamento encontrados em um testemunho de perfuração — Foto: Aaron Cavosie

Uma cratera de impacto verdadeira

Até que os pesquisadores comprovassem que a Ora Banda foi a cratera de impacto do asteroide, eles precisaram identificar uma série de confirmações geológicas, chamadas pelos especialistas de “evidências diagnósticas”.

O primeiro sinal encontrado foram cones de estilhaçamento, ou seja, estruturas cônicas características das rochas que registram a passagem da onda de choque do impacto. Segundo os cientistas, foram encontradas algumas dessas formações em afloramentos rochosos na superfície da região, o que permitiu que eles concluíssem que a região tinha sido um antigo local de impacto.

Outras evidências também foram encontradas. A começar pelos “núcleos de sondagem”, nome confuso para um processo que os geólogos fazem de retirar do subsolo porções de rocha ou solo para investigação geológica ou geotécnica. Eles descobriram que, na verdade, a Ora Banda continha uma variedade de tipos de rochas.

A distribuição desses tipos rochosos também variava: sedimentos ricos em argila, por exemplo, estavam mais concentrados no topo, enquanto na base foi observada uma presença maior de brechas originadas pela força do impacto com o asteroide.

Nesses casos, “brecha” é o nome dado a qualquer rocha que foi quebrada em fragmentos menores e possui uma matriz de partículas ainda menores que se “colam” umas às outras. Trata-se de uma rocha encontrada com frequência em crateras de impacto, porque as ondas de choque de alta energia podem fazer com que as rochas se estilhacem instantaneamente.

Amostra central da brecha (rocha) de impacto de Ora Banda. À esquerda, brecha polimítica (suevita) contendo vidro de impacto preto. À direita, brecha polimítica sem vidro de impacto — Foto: Aaron Cavosie
Amostra central da brecha (rocha) de impacto de Ora Banda. À esquerda, brecha polimítica (suevita) contendo vidro de impacto preto. À direita, brecha polimítica sem vidro de impacto — Foto: Aaron Cavosie

E olha que as diferenciações ainda não chegaram a um fim, até porque existem diferentes tipos de brechas de impacto. A classificação delas é feita de acordo com o conteúdo que essas rochas contêm em seus núcleos. “Monomíticas”, por exemplo, são brechas formadas por apenas um tipo de rocha, enquanto as “polimíticas” são o resultado da junção de fragmentos oriundos de rochas distintas, tão interpoladas que é como se as rochas tivessem sido misturadas num liquidificador. Ambos os tipos de brecha ocorrem nos testemunhos de sondagem de Ora Banda.

Já se a brecha contém partículas vítreas – isto é, se parece que tem vidrinhos – fundidas com demais fragmentos de rocha, é conhecida como “suevita”. Esses pequenos “vidros” sugerem que o material fundido foi lançado ao céu quando o meteorito atingiu a Terra, isso porque se supõe que o detrito rochoso voou pelo ar e, com o calor do choque, foi transformado em uma partícula de aspecto vítreo.

Além desses tipos de rochas encontradas, os cientistas encontraram evidências microscópicas que confirmam que a Ora Banda é uma cratera de impacto. A primeira delas foram grãos de quartzo deformados de uma maneira exclusiva a dos impactos de meteoritos, enquanto a segunda era um tipo de resíduo de meteorito no vidro, que ocorreu porque o corpo celeste vaporizou e dissolveu em uma das partículas com as quais se fundiu.

(Por Júlia Sardinha)

Uma pepita de ouro encontrada na brecha de impacto de Ora Banda; diferentes métodos de imagem revelam que ela possui uma textura granular — Foto: Raiza Quintero

Astrogildo Aécio Nunes

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