Gilberto Figueiredo lança livro sobre a pandemia e diz que Brasil ainda não está preparado para nova crise sanitária

Gilberto Figueiredo lança livro sobre a pandemia e diz que Brasil ainda não está preparado para nova crise sanitária
Divulgação

O ex-secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, lançou nesta quarta-feira (24/06), em Brasília, o livro “Sem Tempo para Respirar – Relatos de um Secretário de Saúde no Caos da Pandemia”. A obra relata sua experiência durante a pandemia da Covid-19, tanto na condição de gestor público responsável pelo enfrentamento da crise sanitária quanto como paciente, que chegou a ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após contrair a doença.

O lançamento da obra aconteceu 6ª Assembleia Geral do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Saúde (CONASS), evento que Gilberto participou como convidado especial. Gilberto afirmou que a pandemia transformou profundamente sua vida pessoal e profissional e destacou que a publicação busca preservar a memória de um dos períodos mais difíceis da história recente do país e do mundo, além de servir como reflexão para gestores e profissionais da saúde.

“Não dá para deixar isso passar em branco. Precisamos honrar aqueles que perderam a vida na pandemia e criar um legado que possa evitar futuros desastres dessa natureza”, afirmou.

Segundo o ex-secretário, a experiência da pandemia evidenciou fragilidades estruturais do sistema de saúde brasileiro, especialmente a dependência de insumos e equipamentos importados. Ele alertou para a necessidade de planejamento e investimentos para enfrentar possíveis novas emergências sanitárias.

“Um dos objetivos do livro é contribuir para a formação de futuros gestores da saúde pública, compartilhando os desafios enfrentados durante a maior crise sanitária do século”, destacou.

O ex-secretário ressaltou que o livro não é uma obra focada em estatísticas, mas em histórias humanas e no trabalho desempenhado pelos profissionais de saúde que atuaram na linha de frente do combate à Covid-19. “É um livro sobre vida. Sobre aqueles que não desertaram e estiveram à frente dessa batalha. Muitos deram a própria vida para que a maioria sobrevivesse”, disse.

Gilberto lembrou que viveu os dois lados da pandemia, enquanto coordenava as ações de combate à doença em Mato Grosso, também enfrentava sua luta pessoal pela sobrevivência como paciente da Covid 19. “Eu sou um dos poucos secretários que viveu os dois lados da pandemia. Estive à frente das ações de proteção à população, mas também penei em um leito de UTI, quase morrendo”, relatou.

Fake News e Imprensa
Gilberto Figueiredo destacou ainda o papel desempenhado pelos conselhos nacionais de secretários estaduais e municipais de saúde durante a pandemia e agradeceu o trabalho da imprensa no combate à desinformação. “Há um capítulo especial dedicado aos comunicadores. A verdade foi o principal antídoto contra as fake news que circulavam naquele período”, destacou.

“Fomos forjados nessa pandemia, muitos não sabem o que nós passamos e o Gilberto aponta bem isso. O SUS mostrou sua força na pandemia. O tipo de reflexão que o Gilberto traz mostra que precisamos cada vez trabalhar para futuros enfrentamentos. Que o livro consiga transferir para as futuras gerações o que realmente nós passamos durante a pandemia. Parabéns Gilberto”, declarou o secretário de saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante.

Já o secretário executivo do Conass, Jurandir Frutuoso, disse que o livro é documento imprescindível para se evitar que os governantes não ignorem alertas sobre novas emergências sanitárias e de saúde. “Extremamente necessário colocar no papel o que se viveu, o que sofreu, o que produziu de resultado, para que na próxima vez, sem dúvida nenhuma, a gente possa estar muito mais bem informado, sabendo qual é o papel de cada um para minimizar o sofrimento e perda de vida. Parabéns mais uma vez pela iniciativa”.

Após o lançamento em Brasília, Gilberto Figueiredo fará uma noite de autógrafos do livro “Sem Tempo para Respirar”, no dia 08 de julho, em Cuiabá, na UniSenai.

Astrogildo Aécio Nunes

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