De colete à prova de balas, presidenciável visita garimpo controlado pelo CV em terra indígena de MT

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, visitou uma área de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso. A cena, registrada nesta terça-feira (21), expõe o grau de insegurança de um território onde o Comando Vermelho passou a controlar frentes clandestinas de extração de ouro. O candidato usava um colete à prova de balas para dimensionar o risco.
Em vídeo, Renan aparece caminhando pela área degradada, protegido pelo equipamento. O local, na região de Pontes e Lacerda, perto da divisa com a Bolívia, ganhou repercussão nacional após investigações apontarem que a facção assumiu o controle de garimpos, impôs regras aos trabalhadores e passou a usar o ouro como moeda para financiar outras atividades criminosas.
Segundo a Polícia Federal, o Comando Vermelho chegou à região oferecendo segurança armada aos garimpeiros. Posteriormente, ampliou sua presença e passou a controlar diretamente áreas de exploração. Parte do ouro retirado ilegalmente seria trocada por drogas e armamentos em países vizinhos.
A Terra Indígena Sararé tem cerca de 67 mil hectares e abriga indígenas do povo Nambikwara. Homologado em 1985, o território se estende por municípios da região oeste de Mato Grosso e se transformou em um dos principais focos de garimpo ilegal do país.
Dados do governo federal indicam que aproximadamente 4.200 hectares já foram diretamente impactados pela mineração clandestina. A floresta deu lugar a crateras, lama, cursos de água desviados e túneis abertos no interior das serras. Alguns chegam a 150 metros de profundidade e são escavados com o uso de explosivos.
A expansão mais intensa ocorreu nos últimos anos, com a chegada de escavadeiras, garimpeiros e grupos armados. Investigações também identificaram a presença de quadrilhas formadas por policiais e outros grupos que disputam o controle das áreas de extração.
Facção usa ouro para financiar crimes
Para a Polícia Federal, a exploração do Sararé deixou de ser apenas um crime ambiental e passou a integrar a estrutura financeira do crime organizado. O ouro, de difícil rastreamento, pode ser comercializado, lavado ou trocado diretamente por drogas e armas.
O chamado Garimpo do Cururu é apontado pelas autoridades como uma das bases do Comando Vermelho dentro do território. Relatos reunidos pelas investigações mencionam homens encapuzados, armamento pesado e ameaças a indígenas e agentes públicos.
A presença da facção também aumentou a violência na região. A disputa pelo controle dos garimpos envolve criminosos, milicianos e grupos especializados na extração ilegal, criando uma espécie de território paralelo dentro da área indígena.
Prejuízo superior a R$ 110 milhões
Uma força-tarefa federal realiza uma operação de desintrusão para retirar os invasores e destruir a estrutura utilizada pelo garimpo. O trabalho reúne Polícia Federal, Ibama, Funai, Força Nacional e outros órgãos.
O balanço mais recente aponta prejuízo superior a R$ 110 milhões às organizações criminosas. Foram efetuadas 72 prisões e apreendidos 153 quilos de ouro e mais de 42 mil litros de diesel.
As equipes também destruíram 33 túneis, quase quatro toneladas de explosivos, cerca de 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 escavadeiras. As ações continuam sem prazo para terminar.
EDILSON ALMEIDA | Redação RDM Brasília






