Tribunal do crime: oito acusados por morte de homem em MT irão a Júri Popular

Tribunal do crime: oito acusados por morte de homem em MT irão a Júri Popular
Divulgação MPE

A Justiça de Mato Grosso determinou que oito acusados pela morte de Leandro Fagundes Luiz, em Alto Taquari, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. O crime ocorreu em 28 de março de 2025 e, segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a vítima teria sido capturada e submetida a um chamado “tribunal do crime” antes de ser morta.

A decisão de pronúncia foi proferida pela Vara Única de Alto Taquari após o juízo entender que existem elementos suficientes para que os acusados sejam submetidos ao julgamento popular.

Os oito pronunciados respondem por homicídio triplamente qualificado, pelas circunstâncias de motivo torpe, emprego de tortura e utilização de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Também são acusados de ocultação de cadáver, corrupção de menores e integração de organização criminosa.

Vítima saiu para sacar dinheiro e desapareceu

Conforme a denúncia apresentada pelo MPMT, Leandro saiu de casa na manhã de 28 de março de 2025 para realizar um saque bancário em nome da avó. Ele, porém, não retornou.

As investigações apontaram que o homem teria sido capturado e levado para uma residência abandonada localizada nas proximidades do Lago Municipal de Alto Taquari.

No imóvel, segundo o Ministério Público, Leandro teria sido submetido a um julgamento promovido por integrantes de uma organização criminosa.

A motivação estaria relacionada a um episódio anterior envolvendo a vítima e uma adolescente. O fato teria provocado o acionamento de integrantes da organização para determinar uma punição contra Leandro.

Segundo os autos, parte dos denunciados teria participado presencialmente da ação, enquanto outros integrantes da organização criminosa teriam acompanhado e até comandado os atos por meio de videochamada, de dentro de uma unidade prisional em Rondonópolis.

A vítima teria sido submetida a agressões durante um longo período, utilizando instrumentos contundentes, antes de ser morta.

O corpo de Leandro nunca foi localizado.

Ainda assim, a Justiça considerou que a inexistência do cadáver não impede o reconhecimento da materialidade do crime. Entre os elementos apresentados no processo estão mensagens extraídas de celulares apreendidos, depoimentos de investigadores e reconhecimentos fotográficos.

Acusada teria pedido punição contra a vítima

Ainda de acordo com a denúncia, uma das acusadas, que seria mãe de uma das adolescentes envolvidas no episódio anterior ao crime, teria procurado uma liderança da organização criminosa para solicitar uma punição contra Leandro.

A Justiça manteve as três qualificadoras atribuídas ao homicídio — motivo torpe, tortura e recurso que dificultou a defesa da vítima. O entendimento foi de que existem indícios suficientes para que essas circunstâncias sejam analisadas definitivamente pelos jurados.

Réus continuam presos

Os oito acusados permanecem presos preventivamente.

Com a decisão de pronúncia, o processo entra agora na fase preparatória para o Tribunal do Júri. Nessa etapa, serão adotadas as providências necessárias para a realização do julgamento, no qual caberá ao Conselho de Sentença decidir sobre a responsabilidade dos réus pelos crimes atribuídos a eles.

A pronúncia, vale ressaltar, não representa condenação. Trata-se da decisão judicial que reconhece a existência de elementos suficientes para levar os acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?