Curso pioneiro no país avança na formação de identificadores florestais com etapa prática em Juína

Curso pioneiro no país avança na formação de identificadores florestais com etapa prática em Juína
Fotos: Divulgação

A primeira turma do Curso FIC – Identificador Florestal, formação pioneira no Brasil, concluiu nesta sexta-feira (14), em Juína (MT), a primeira etapa presencial. Viabilizada pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), em parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus Juína e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), a iniciativa reúne 14 profissionais em uma formação voltada a uma das etapas mais importantes do manejo florestal sustentável: o reconhecimento seguro das espécies arbóreas.

As atividades práticas começaram na segunda-feira (10), na Fazenda Montana, em uma área de Manejo Florestal Sustentável, onde os alunos aplicaram técnicas de coleta e reconhecimento de espécies. Ao longo da semana, a programação também incluiu atividades na sede do Sindicato das Indústrias Madeireiras e Moveleiras do Noroeste de Mato Grosso (SIMNO), uma nova atividade de campo na Fazenda Rio Doce e aulas de laboratório no IFMT Campus Juína, com estudos sobre morfologia de espécies arbóreas de interesse florestal e anatomia da madeira.

O reconhecimento correto das árvores é uma das primeiras etapas para garantir uma produção legal e rastreável. Uma identificação equivocada pode gerar reflexos no inventário florestal, no monitoramento das parcelas permanentes e até na comercialização da madeira. A identificação realizada apenas por características sensoriais e conhecimentos empíricos pode produzir informações insuficientes para as etapas posteriores do manejo, daí a importância da qualificação técnica dos profissionais que atuam diretamente em campo.

O tema também possui relevância econômica para Mato Grosso. Em 2025, a base florestal movimentou R$ 3,2 bilhões no estado, mantém mais de 5 milhões de hectares sob manejo e representa uma das principais atividades econômicas de mais de 44 municípios, além de gerar cerca de 10,5 mil empregos diretos.

Para o diretor-executivo do Cipem, Valdinei Bento dos Santos, apoiar a formação dos identificadores representa um investimento na etapa inicial de toda a cadeia produtiva.

“Qualificar quem identifica as espécies é fortalecer o elo inicial da atividade de base florestal. É isso que dá segurança a quem está na floresta, ao órgão que licencia e fiscaliza e a quem compra”, afirma.

Segundo Valdinei, a realização da primeira etapa presencial em Juína reforça o protagonismo de Mato Grosso na busca pela qualificação da mão de obra que atua no manejo florestal sustentável, ações como essas refletem na reputação da produção florestal do estado.

Para a engenheira florestal Gracialda Costa Ferreira, doutora da UFRA e coordenadora do curso, a formação busca enfrentar uma necessidade existente há anos entre os profissionais que trabalham diretamente com a identificação das espécies.

“Um passo muito importante é dado. Este curso vem sendo sonhado há muitos anos. Ter o apoio do Cipem, do IFMT, da Sedec e de todos os outros parceiros foi fundamental, mas principalmente pela sensibilidade de entender a importância disso para o manejo florestal”, destaca.

Devemos pensar na nova turma, pois a formação de 15 profissionais não basta para atender a demanda instalada.
Para quem participa da formação, a possibilidade de aplicar o conhecimento diretamente na floresta é um dos diferenciais. Proprietário da Flora Assessoria Florestal, de Colniza (MT), Tiago Federle integra a primeira turma e destaca a importância da atividade prática.

“O curso prático é muito importante para quem trabalha na área. Foi uma aula prática de verdade, com todas as informações de que precisamos para identificar o caule, que é o que o identificador observa em campo. Também trabalhamos a arquitetura foliar, que é fundamental para a identificação e foi uma parte muito importante da primeira aula prática”, relata.

A formação é oferecida na modalidade Formação Inicial e Continuada (FIC), coordenada pelo IFMT Campus Juína e executada pela UFRA. O curso teve início em março, com aulas teóricas online e gravadas. Nesta semana, os participantes cumpriram a primeira etapa presencial, com atividades práticas em campo e laboratório.

A formação terá continuidade em setembro, quando será realizada uma nova etapa presencial no herbário de Alta Floresta. Somente após essa fase será concluída a formação da primeira turma de identificadores florestais. Os instrutores são Gracialda Costa Ferreira, Eduardo da Silva Leal e Marcela Gomes da Silva, engenheiros florestais e doutores pela UFRA.

O manejo florestal sustentável alia produção, geração de emprego e renda além da conservação da floresta e da biodiversidade. Para que esse processo seja realizado com segurança e rastreabilidade, o conhecimento técnico sobre as espécies presentes nas áreas manejadas é uma etapa fundamental.

Astrogildo Aécio Nunes

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