El Niño desafia o campo e reforça importância da correção do solo

El Niño desafia o campo e reforça importância da correção do solo
Divulgação

A preparação do solo ganha importância no planejamento do agronegócio brasileiro diante das previsões de um El Niño de forte intensidade e da necessidade de maior eficiência no uso dos insumos. Em Mato Grosso, a possibilidade de chuvas irregulares e temperaturas elevadas reforça a atenção dos produtores às condições das áreas antes do estabelecimento da nova safra.

A aplicação de calcário agrícola, conhecida como calagem, volta ao centro das discussões sobre produtividade e manejo da fertilidade. O tema foi destacado durante a assembleia da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário (Abracal), realizada em junho, quando representantes do setor apontaram que a aplicação permanecia abaixo do necessário em diferentes regiões do país, incluindo o Centro-Oeste. Na ocasião, a cautela dos produtores diante dos custos de produção foi apontada como um dos fatores que contribuíam para o adiamento da prática.

A avaliação do engenheiro agrônomo Carlos Pedro A Santos, especialista da Reical, quando o produtor analisa o custo da safra, a correção do solo não deveria ser observada de forma isolada. “Fertilizantes, sementes, genética, defensivos e tecnologia são investimentos importantes por hectare, mas precisam de condições adequadas de solo para expressar seu potencial”.

Ele reforça que em solo excessivamente ácido, a disponibilidade de nutrientes é reduzida. “Corrigir essas limitações é parte da eficiência do que já está sendo investido na lavoura”, explica o engenheiro.

Para Carlos Pedro, a calagem não elimina o risco climático, mas faz parte da construção de um ambiente de produção mais favorável ao desenvolvimento das raízes e ao aproveitamento de água e nutrientes. “Em um cenário de maior irregularidade das chuvas, conhecer as condições do solo e corrigir suas limitações ganha ainda mais importância”, afirma Santos.

Nesse contexto, o manejo da fertilidade precisa ser planejado de forma integrada. A definição do momento de aplicação e das áreas prioritárias deve considerar as condições específicas de cada propriedade, a recomendação agronômica e a capacidade de investimento do produtor.

O engenheiro reforça que a atualização das previsões para o El Niño mostra que o planejamento do solo permanece relevante, especialmente diante das incertezas climáticas e econômicas que acompanham a safra 2026/27. “Mais do que responder às condições adversas depois que elas se manifestam, o manejo adequado busca preparar a lavoura para diferentes cenários, conciliando produtividade, eficiência dos investimentos por hectare e gestão de riscos”, finaliza Carlos Pedro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?