Aracnídeo pode estar caçando e devorando rãs vivas nas florestas da América do Sul

Aracnídeo pode estar caçando e devorando rãs vivas nas florestas da América do Sul
Um opilião (Phareicranaus sp), também conhecido como aranha-de-pernas-longas, agarra uma rã ( Pristimantis sp. ) para devorá-la na Colômbia. — Foto: Maida Gutiérrez-Arboleda

Uma nova pesquisa sugere que alguns dos caçadores mais improváveis das florestas tropicais sul-americanas podem ser pequenos aracnídeos de pernas longas conhecidos como opiliões (Phareicranaus sp). Um estudo publicado na revista Ecology and Evolution reuniu dez registros de opiliões se alimentando de rãs vivas na Colômbia e no Equador. As observações desafiam a visão tradicional sobre esses animais e indicam que eles podem atuar como predadores de vertebrados com mais frequência do que os cientistas imaginavam.

“Encontrar esses animais comendo rãs vivas foi uma surpresa completa. Não esperávamos que eles fossem capazes de capturá-las”, afirmou o biólogo Luís Fernando García, da Universidade da República, no Uruguai, e coautor do estudo, ao Live Science.

Os opiliões pertencem à ordem Opiliones e são frequentemente confundidos com aranhas devido às pernas longas e finas. No entanto, eles não são aranhas. Embora façam parte da classe dos aracnídeos, estão evolutivamente mais próximos dos escorpiões.

Até agora, havia relatos esporádicos de opiliões consumindo anfíbios, mas não estava claro se os animais haviam capturado suas presas ou apenas se alimentado de indivíduos já mortos. Os novos registros sugerem algo diferente: em vários casos, as rãs ainda se movimentavam enquanto eram consumidas.

“O que descobrimos é que eles conseguem capturar rãs, porque muitas delas ainda estavam se movendo”, explicou García.

O achado chama a atenção porque esses aracnídeos não possuem veneno e tampouco são conhecidos por sua velocidade. Os pesquisadores acreditam que eles possam atacar rãs durante períodos de repouso ou sono. Outra hipótese é que utilizem seus pedipalpos, apêndices localizados próximos à boca, para agarrar e conter as presas.

Os opiliões são aracnídeos mais aparentados aos escorpiões do que às aranhas. — Foto: Maida Gutiérrez-Arboleda
Os opiliões são aracnídeos mais aparentados aos escorpiões do que às aranhas. — Foto: Maida Gutiérrez-Arboleda

Segundo os autores, algumas das rãs observadas eram até 29% maiores do que os próprios predadores, tornando o feito ainda mais impressionante. Para José Valdez, ecologista da Universidade Martin Luther Halle-Wittenberg, na Alemanha, que não participou da pesquisa, o aspecto mais intrigante do comportamento é justamente a ausência de veneno.

“O aspecto mais surpreendente é como esses opiliões conseguem subjugar suas presas”, disse. “Eles precisam confiar inteiramente na contenção física.”

A descoberta também reforça a importância das plataformas de ciência cidadã. Um dos registros analisados pelos pesquisadores foi obtido por meio do iNaturalist, aplicativo em que usuários compartilham fotografias de espécies observadas na natureza.

“A disponibilidade de câmeras de boa qualidade em celulares ajudou enormemente no registro dessas interações”, destacou o biólogo da conservação Olivier Pauwels, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais.

Além de revelar um comportamento pouco conhecido, o estudo abre novas perguntas sobre o papel ecológico dos opiliões nas florestas tropicais. Os pesquisadores acreditam que esses aracnídeos sejam predadores oportunistas e generalistas, capazes de explorar uma variedade maior de presas do que se imaginava.

(Por Carina Gonçalves)

Astrogildo Aécio Nunes

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