Após meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de recuo em Mato Grosso e quase 34 mil consumidores deixam lista de restrição

Depois de meses de avanço das dívidas e pressão sobre o orçamento das famílias, Mato Grosso registrou em agosto um movimento que chama atenção de economistas, lojistas e consumidores: a inadimplência caiu pela primeira vez em 2026.
Os dados divulgados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram uma redução de 2,23% no número de consumidores com restrições de crédito entre julho e agosto. Embora o estado ainda tenha cerca de 1,5 milhão de adultos com alguma pendência financeira registrada, o resultado interrompe uma sequência de crescimento observada ao longo do ano e pode sinalizar uma mudança de comportamento das famílias mato-grossenses.
Na prática, a redução representa dezenas de milhares de consumidores conseguindo sair dos cadastros de inadimplência e recuperar acesso ao crédito, um indicador acompanhado de perto pelo comércio, instituições financeiras e empresas de diversos setores.
O que mudou no bolso dos mato-grossenses?
O levantamento mostra que não foi apenas o número de inadimplentes que caiu.
A quantidade total de dívidas em atraso também apresentou redução de 2,38% em agosto na comparação com julho.
O dado ganha relevância porque ocorre em um cenário de juros elevados, aumento do custo de vida e desafios econômicos enfrentados por milhares de famílias em todo o país.
Mesmo com o recuo mensal, o cenário ainda exige atenção. Na comparação com agosto do ano passado, o volume de débitos em atraso continua 8,90% superior.
Ou seja, o estado ainda convive com uma massa significativa de consumidores tentando reorganizar suas finanças.
A dívida média passa de R$ 6 mil
Os números revelam outra realidade que preocupa.
Cada consumidor inadimplente em Mato Grosso acumula, em média, R$ 6.119,63 em débitos registrados.
Além do valor elevado, o tempo médio de atraso chama atenção: são aproximadamente 29 meses e meio sem regularização das pendências.
Isso significa que boa parte das dívidas não é recente.
Segundo o levantamento, 35,7% dos débitos permanecem em aberto entre um e três anos, enquanto 40,13% já ultrapassaram três anos de atraso.
O retrato mostra que muitos consumidores não estão lidando apenas com dificuldades momentâneas, mas com passivos financeiros que se acumulam ao longo do tempo.
Quem são os mato-grossenses mais endividados?
O perfil da inadimplência no estado apresenta características bem definidas.
Os homens representam a maior parcela dos consumidores com restrições de crédito, respondendo por 53,42% dos registros.
As mulheres somam 46,56%.
A faixa etária mais afetada está entre os 30 e os 49 anos, justamente o grupo que concentra grande parte da população economicamente ativa.
Especialistas apontam que essa faixa reúne pessoas que frequentemente acumulam financiamentos, cartões de crédito, empréstimos, despesas familiares e compromissos relacionados à criação dos filhos.
Quando se observa para quem os consumidores devem, o setor financeiro aparece disparado na liderança.
Os bancos concentram 54,81% de todas as dívidas registradas no estado.
Na sequência aparecem:
- Comércio: 21,94%;
- Outros segmentos: 10,91%;
- Água e energia elétrica: 8,17%;
- Comunicação: 4,17%.
O resultado mostra que grande parte da inadimplência continua relacionada a produtos financeiros, como empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e cheque especial.
Cuiabá acompanha tendência de melhora
Na capital mato-grossense, o movimento de redução da inadimplência foi ainda mais intenso.
O número de consumidores com restrições caiu 2,52% em agosto.
Atualmente, aproximadamente 258 mil adultos em Cuiabá possuem algum tipo de registro negativo nos órgãos de proteção ao crédito.
A quantidade de dívidas em atraso também diminuiu, registrando queda de 2,95% no período.
Apesar da melhora, os valores continuam elevados.
Na capital, a dívida média alcança R$ 6.631,99, acima da média estadual.
O tempo médio de atraso também é maior: 30,2 meses.
Outro dado chama atenção. Mais da metade das dívidas registradas em Cuiabá já ultrapassou um ano de atraso, demonstrando que muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento.
Sinal de recuperação ou pausa temporária?
Para o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, o recuo observado em agosto representa um indicativo positivo, embora o cenário ainda exija cautela.
Segundo ele, os números mostram que parte das famílias está conseguindo reorganizar suas finanças e voltar gradualmente ao mercado de crédito.
O dirigente destaca que o comércio tem papel importante nesse processo, oferecendo condições de negociação que permitam aos consumidores regularizar suas pendências e retomar o poder de compra.
O que os números revelam sobre Mato Grosso
Mais do que uma simples estatística, o levantamento mostra um comportamento que pode influenciar diretamente a economia estadual nos próximos meses.
Quando a inadimplência recua, mesmo que de forma moderada, aumenta a possibilidade de recuperação do crédito, crescimento do consumo e fortalecimento do comércio.
Ainda é cedo para afirmar que Mato Grosso iniciou uma tendência consolidada de queda da inadimplência. No entanto, agosto trouxe algo que não aparecia desde o início do ano: um sinal concreto de alívio para milhares de consumidores que convivem há meses com contas atrasadas e restrições financeiras.
Para um estado que abriga quase 1,5 milhão de adultos com algum tipo de pendência de crédito, qualquer movimento de melhora já merece atenção. E foi exatamente isso que os números de agosto mostraram.
Fonte: CenárioMT






