A democracia perde quando mulheres desistem

A democracia perde quando mulheres desistem
Imagem Pessoal

Por Janaina Riva

Quando se fala em participação feminina na política, quase sempre a discussão começa pelos números: quantas mulheres foram eleitas, quantas chegaram às câmaras, às prefeituras, às assembleias e ao Congresso.

Os números importam, mas mostram só o resultado final de um problema que começa muito antes da urna.
A política perde mulheres quando uma liderança preparada pensa em disputar e desiste. Perde quando uma professora, uma médica, uma empresária, uma produtora rural, uma servidora pública, uma advogada ou uma líder comunitária olha para esse ambiente e entende que talvez não valha a pena expor a família, enfrentar ataques, ser julgada pela aparência, pela vida pessoal ou por cobranças que os homens raramente enfrentam.

A pergunta que precisamos fazer é outra: o que ainda afasta tantas mulheres da política antes mesmo de elas começarem?

Não falta capacidade. Não falta coragem. Não falta preparo. Falta apoio real, estrutura, espaço dentro dos partidos, respeito no debate público e condições para que essas mulheres disputem de verdade.

Tenho trabalhado para mudar essa realidade dentro e fora do Parlamento. À frente do MDB de Mato Grosso, tenho defendido que a participação feminina não pode ser tratada como obrigação de nominata ou discurso de ocasião. Precisa ser compromisso partidário, com incentivo, acolhimento, formação, valorização e espaço real para mulheres que já lideram em seus municípios, mas que muitas vezes ainda não se sentem chamadas para entrar na vida pública.

O MDB tem buscado fortalecer esse caminho, estimulando novas candidaturas femininas, ouvindo lideranças do interior, abrindo espaço para mulheres competitivas e mostrando que partido forte é aquele que prepara, respeita e dá protagonismo às mulheres.

Mulher na política não quer favor. Quer oportunidade justa. Quer ser avaliada pelo trabalho, pelas ideias, pela entrega e pela capacidade de representar a população.

Quando uma mulher desiste, quem perde é a sociedade. Perde o município que poderia ter uma vereadora atuante. Perde o Estado que poderia ter mais mulheres ajudando a construir políticas públicas. Perde a democracia, porque nenhuma democracia é completa quando metade da população ainda enfrenta tantas barreiras para participar das decisões.

Meninas precisam crescer vendo mulheres em posições de liderança como algo natural. Precisam olhar para uma Câmara Municipal, uma Assembleia Legislativa, uma prefeitura, o Senado ou qualquer outro espaço de poder e entender que aquele lugar também pode ser delas.

A política precisa parar de perder mulheres antes da disputa começar. Precisa abrir portas, proteger trajetórias e respeitar quem tem coragem de participar da vida pública.

Democracia forte também se mede pela capacidade de fazer mais mulheres acreditarem que podem entrar, permanecer e transformar a vida das pessoas.

*Janaina Riva é bacharel em Direito, deputada estadual mais votada de Mato Grosso, presidente do MDB-MT e pré-candidata a senadora.

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Astrogildo Aécio Nunes

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