A arte de conviver: o maior desafio das organizações

Soraya M. Queiroz
Imagine uma equipe em que todos pensassem da mesma maneira, tivessem as mesmas experiências, reagissem da mesma forma e concordassem com tudo. À primeira vista, poderia parecer o ambiente perfeito.
Mas será que seria?
Provavelmente não.
As organizações são formadas por pessoas. E pessoas carregam histórias, valores, personalidades, expectativas e maneiras diferentes de enxergar o mundo. É justamente essa diversidade que torna as equipes tão ricas e, ao mesmo tempo, tão desafiadoras.
Conviver com quem pensa diferente é uma das maiores habilidades que precisamos desenvolver no ambiente de trabalho.
O conflito, por si só, não é necessariamente um problema. Muitas vezes, ele nasce de perspectivas diferentes e pode trazer à tona questões que precisavam ser discutidas. O problema começa quando deixamos de discordar de uma ideia e passamos a desqualificar quem pensa diferente de nós.
É nesse momento que o diálogo dá lugar à disputa.
Quantos conflitos poderiam ser evitados se, antes de responder, fizéssemos um esforço genuíno para compreender o ponto de vista do outro?
Conviver não significa concordar com tudo. Significa aprender a respeitar mesmo quando existe discordância.
Para quem lidera, esse desafio é ainda maior. Cabe ao líder criar um ambiente em que as pessoas possam se expressar sem medo, mas também compreender que liberdade de expressão não significa ausência de responsabilidade na forma de falar.
Uma equipe saudável não é aquela em que nunca existem conflitos. É aquela que consegue atravessá-los sem perder o respeito.
Isso exige escuta, empatia e, principalmente, maturidade.
Maturidade para reconhecer que podemos estar errados. Para ouvir uma opinião diferente sem imediatamente preparar uma resposta. Para separar o problema da pessoa. Para compreender que nem toda discordância é uma ameaça à nossa autoridade ou às nossas convicções.
Talvez um dos maiores aprendizados da vida profissional seja perceber que não precisamos gostar de todas as pessoas com quem trabalhamos. Mas precisamos aprender a respeitá-las, compreendê-las e encontrar formas saudáveis de conviver.
Afinal, ninguém constrói grandes resultados sozinho.
Quando conseguimos transformar diferenças em complementação, experiências em aprendizado e conflitos em oportunidades de diálogo, deixamos de ter apenas um grupo de pessoas trabalhando lado a lado. Construímos uma equipe.
E talvez a verdadeira competência profissional não esteja apenas naquilo que sabemos fazer, mas também na nossa capacidade de conviver com quem faz, pensa e sente de maneira diferente de nós.
FICA A REFLEXÃO
Na próxima vez que alguém discordar de você, antes de pensar em como provar que está certo, experimente perguntar:
“O que essa pessoa está enxergando que talvez eu ainda não tenha conseguido perceber?”
Talvez você não mude de opinião.
Mas talvez descubra que compreender o outro não exige concordar com ele, exige apenas estar disposto a ouvi-lo.
E, em tempos de tantas divisões, talvez essa seja uma das formas mais importantes de construir pontes.
Soraya M. Queiroz – Salvador Servidora pública, gestora e especialista em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Humano.
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