Irregularidade ameaça permanência de Gisela Simona como vice de Pivetta

A reconfiguração da chapa governista para as eleições de 2026 ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral. Escolhida na última terça-feira (11.08) pelo governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) para ocupar a vaga de vice, Gisela Simona (União) teve a retirada de seu nome da disputa à Câmara Federal colocada sob questionamento pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
A mudança envolve justamente Fábio Garcia (União), que deixou a condição de candidato a vice de Pivetta após ser apontado como alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 6. A investigação apura suspeitas de irregularidades relacionadas ao acordo entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A.
Com a saída de Fábio da majoritária e a escolha de Gisela para ocupar a vaga de vice, o deputado voltou para a disputa proporcional. O problema agora apontado pelo MPE está na forma como essa dança das cadeiras foi formalizada pela Federação União Progressista (União Brasil/PP).
A convenção estadual realizada em 4 de agosto havia homologado Gisela Simona e Ednei Blasius como candidatos a deputado federal. No entanto, o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) posteriormente encaminhado à Justiça Eleitoral apresentou Fábio Garcia e Sandy de Paula no lugar dos dois.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, as substituições não foram aprovadas durante a convenção, mas em uma reunião posterior da Direção Estadual da Federação União Progressista. É justamente essa deliberação que entrou na mira da Procuradoria.
Isso porque apenas quatro dos 11 integrantes da Direção Estadual aparecem na lista de presença da reunião. Conforme o estatuto da federação citado pelo MPE, decisões dessa natureza exigem maioria absoluta, o equivalente a pelo menos seis votos.
Apesar de a ata registrar aprovação por unanimidade dos presentes, o procurador regional eleitoral Fabrizio Predebon da Silva avaliou que os quatro votos não atingem o quórum necessário. Para o MPE, há, em análise preliminar, “risco de nulidade” sobre as substituições realizadas.
A situação cria mais um componente jurídico em uma composição eleitoral que sofreu mudanças em poucos dias. Antes de Gisela ser escolhida, Fábio Garcia figurava na chapa de Pivetta. A alteração ocorreu depois de o parlamentar aparecer entre os alvos da Operação Heritage. Reportagens sobre a operação apontam que a PF investiga um suposto esquema envolvendo recursos relacionados ao acordo firmado pelo Estado com a Oi.
Agora, enquanto Gisela migra da proporcional para a majoritária como vice de Pivetta, Fábio retorna à corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas a formalização dessa substituição terá que passar pelo crivo da Justiça Eleitoral.
O MPE pediu que a Federação União Progressista seja intimada para, no prazo de três dias, comprovar que houve maioria absoluta na deliberação ou realizar nova reunião para ratificar regularmente as substituições. Caso a irregularidade não seja sanada, a Procuradoria defende o indeferimento do DRAP da federação para deputado federal.
A manifestação foi assinada em 15 de agosto e está no processo nº 0600733-91.2026.6.11.0000, que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), sob relatoria do juiz Eduardo Calmon de Almeida Cezar.
(VGN)






