Cota parlamentar vira combustível nas redes sociais de deputados

A disputa por espaço nas redes sociais entre os deputados federais de Mato Grosso também tem saído do bolso da verba pública destinada ao Congresso Nacional, e já consumiram centenas de milhares de reais da cota parlamentar em despesas relacionadas à divulgação nas redes sociais, justamente em um ano marcado pela corrida eleitoral.
De acordo com os dados públicos, Coronel Assis (União) aparece no topo, com R$ 762,2 mil. Na sequência vêm Nelson Barbudo (Pode), com R$ 647,6 mil; Emanuelzinho (PSD), com R$ 614,5 mil; e Juarez Costa (Republicanos), com R$ 613,9 mil. A lista continua com José Medeiros (PL), R$ 437,4 mil; Rodrigo da Zaeli (PL), R$ 421,3 mil; Coronel Fernanda (PL), R$ 332 mil; e Fábio Garcia (União), R$ 38,1 mil.
A diferença entre os valores chama atenção, mas também exige contexto. Medeiros é candidato ao Senado neste ano, enquanto os demais aparecem na disputa pela permanência na Câmara. Fábio Garcia é o ponto fora da curva. O deputado passou a maior parte do mandato afastado da Câmara para comandar a Casa Civil do governo Mauro Mendes (União), entre junho de 2023 e março deste ano. O período reduzido de atuação parlamentar ajuda a explicar os R$ 38,1 mil registrados.
Zaeli também teve menos tempo para utilizar a estrutura da Câmara. Ele assumiu o mandato em janeiro de 2025, depois que Abilio Brunini (PL) deixou a cadeira para assumir a Prefeitura de Cuiabá.
A cota parlamentar, oficialmente chamada de Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), é destinada a despesas necessárias ao exercício do mandato, incluindo serviços de divulgação. Para os deputados de Mato Grosso, o valor mensal é de R$ 51.439,83. Na prática, a verba virou uma das engrenagens da comunicação política. É dinheiro público usado para manter deputado em evidência, alimentar redes, divulgar ações e sustentar a presença digital.
Em ano eleitoral, a fronteira entre prestação de contas do mandato e construção de imagem política ganha ainda mais relevância. E é justamente aí que a cota parlamentar deixa de ser apenas uma rubrica contábil e passa a revelar quanto custa manter uma candidatura permanentemente em circulação.
(GD)






