Brow lift endoscópico: precisão e pequenas incisões no rejuvenescimento do olhar

Por Dr. Vidal Guerreiro
A queda das sobrancelhas é uma das mudanças que acompanham o envelhecimento do rosto. Com o passar dos anos, alterações na pele, nos músculos e nas estruturas de sustentação podem deixar o olhar mais pesado ou cansado.
Entre as técnicas utilizadas para tratar essa região está o brow lift endoscópico, uma cirurgia minimamente invasiva realizada por meio de pequenas incisões no couro cabeludo, geralmente escondidas entre os fios de cabelo.
Por essas incisões, o cirurgião introduz um endoscópio, equipamento com uma pequena câmera que permite visualizar as estruturas internas durante o procedimento. A partir dessa visão ampliada, é possível liberar e reposicionar os tecidos responsáveis pela posição das sobrancelhas.
O objetivo do brow lift não deve ser apenas “puxar” a sobrancelha para cima. O planejamento considera a anatomia de cada paciente, a posição das sobrancelhas, a musculatura da testa e a relação entre o terço superior da face e as pálpebras.
Com a técnica endoscópica, o cirurgião consegue atuar em planos mais profundos através de incisões menores, buscando reposicionar as estruturas de maneira mais precisa e preservar uma expressão natural.
Essa avaliação também é importante porque, em alguns casos, aquilo que o paciente percebe como excesso de pele sobre as pálpebras pode estar relacionado, ao menos em parte, à queda da sobrancelha. Em outros, pode existir indicação de associação com uma blefaroplastia.
Uma das principais diferenças está no acesso cirúrgico. Em comparação com técnicas abertas que utilizam incisões mais extensas, a endoscopia permite realizar o procedimento por pequenas aberturas no couro cabeludo.
Além de cicatrizes menores e normalmente camufladas pelos cabelos, a câmera permite ao cirurgião visualizar estruturas anatômicas importantes durante a cirurgia e trabalhar de maneira direcionada nos tecidos que precisam ser reposicionados.
Por ser menos invasiva, a técnica também pode proporcionar um pós-operatório mais favorável em pacientes bem selecionados.
Isso, no entanto, não significa que seja uma cirurgia sem riscos. Hematomas, alterações de sensibilidade, assimetrias, alterações próximas às incisões e outras complicações podem ocorrer. Por isso, indicação adequada, conhecimento da anatomia e experiência com a técnica são fundamentais.
O brow lift endoscópico representa um avanço importante na cirurgia do terço superior da face, mas a tecnologia é apenas uma ferramenta.
O resultado depende principalmente de uma avaliação individualizada. Elevar excessivamente uma sobrancelha pode modificar a expressão da mesma forma que não corrigir adequadamente sua queda pode comprometer o resultado.
O objetivo deve ser reposicionar os tecidos na medida necessária para proporcionar um olhar mais leve e descansado, preservando as características do próprio paciente.
Na cirurgia plástica facial, naturalidade não significa ausência de mudança. Significa que a mudança deve respeitar a anatomia, as proporções e a identidade de cada rosto.
Dr. Vidal Guerreiro é cirurgião plástico (CRM-MT 7056 / RQE 2799), mestre em Cirurgia Plástica pela Unifesp e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Presidiu a Regional Mato Grosso da SBCP em duas gestões e é pioneiro na realização do Deep Plane Facelift em Mato Grosso, técnica considerada uma das maiores evoluções da cirurgia de rejuvenescimento facial por proporcionar resultados mais naturais. Em 2025, inaugurou, ao lado da esposa, Fabiane, a Clínica Ária, no bairro Santa Rosa, em Cuiabá.
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