“Não terá perseguição”, garante Ilde Taques sobre Abilio e eventual comando da Câmara

Candidato à Presidência da Câmara de Cuiabá, o vereador Ilde Taques (Podemos) afirmou que, caso seja eleito para comandar o Legislativo, não pretende transformar a relação com o prefeito Abilio Brunini (PL) em uma disputa política permanente. Em entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, o parlamentar garantiu que a futura Mesa Diretora não atuará contra projetos considerados positivos para a Capital e disse que sua gestão será baseada em diálogo.
“Eu me comprometo: não terá, de forma alguma, uma Câmara Municipal de Cuiabá, uma Mesa Diretora, trabalhando contra os projetos e as matérias que sejam bons para Cuiabá. Não terá perseguição ao Executivo, nada disso”, afirmou.
Ilde reforçou que pretende adotar uma postura de conciliação mesmo após o acirramento provocado pela eleição da Mesa Diretora, marcada para 6 de outubro. A disputa colocou o grupo do vereador em confronto político com o núcleo apoiado por Abilio, que inicialmente trabalhou pela reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL).
“Quem me conhece, quem conhece minha trajetória, sabe que sou uma pessoa da paz, da conversa, do diálogo. Então, a gente sendo eleito, vamos fazer uma gestão nesse sentido”, completou.
Durante a entrevista, Ilde também afirmou que não considera sua candidatura um projeto de oposição ao prefeito. O parlamentar argumentou que a eleição da Mesa é uma decisão exclusiva dos 27 vereadores e rejeitou a tese de que o processo tenha se transformado em um plebiscito sobre a gestão municipal.
“Ninguém está jogando contra Cuiabá. São 27 cabeças, 27 vereadores que pensam diferente. E são os vereadores que elegem a nova Mesa Diretora, não é a Prefeitura”, disse.
Apesar do discurso de pacificação, Ilde criticou a participação do Executivo na disputa. Ele avaliou que Abilio interferiu na autonomia da Câmara ao recorrer ao Judiciário para questionar regras do Regimento Interno justamente durante a discussão sobre a possibilidade de reeleição de Paula Calil.
“Nesse ponto, sim. Eu vejo que não precisava partir do Executivo uma interferência através do Judiciário. A eleição de Mesa, de Câmara ou da Assembleia Legislativa tem que ser discutida ali, com quem vota, com os vereadores”, declarou.
Segundo Ilde, o excesso de interferência do Executivo pode produzir efeito contrário ao desejado. “Sempre que há muita interferência por parte da Prefeitura, do Executivo, não pega bem. Não pega bem para a sociedade, não pega bem para a Câmara, nem para os vereadores”, disse.
Presença de Abilio na Câmara
Outro ponto tratado no PodOlhar foi a presença frequente de Abilio nas sessões e articulações do Legislativo. Desde o início da atual gestão, o prefeito adotou uma relação mais direta com a Câmara, acompanhando votações e participando de discussões políticas dentro da Casa.
Questionado se manteria esse espaço caso seja eleito presidente, Ilde afirmou que não pretende impedir a presença do prefeito, mas sinalizou que a discussão sobre matérias deve ocorrer de forma institucional e com participação mais ampla dos vereadores.
“O prefeito pode ir na Câmara Municipal de Cuiabá a hora que ele bem entender. Agora, se eu vou discutir matéria com ele, aí já é outra pegada. Eu acho que a gente tem que discutir no Colégio de Líderes, chamar os vereadores, perguntar a opinião, ser um debate mais ampliado”, afirmou.
Compromisso com Paula e apoio de Abilio
Ilde também confirmou no PodOlhar que havia firmado, diretamente com Paula Calil, um entendimento político na eleição anterior da Mesa Diretora. À época, ele recuou de um projeto próprio e apoiou a vereadora para a Presidência.
Segundo o parlamentar, existia um alinhamento entre os dois para que o grupo permanecesse unido posteriormente, mas a tentativa de Paula de buscar a reeleição modificou o cenário. “Diretamente com ela, a gente tinha esse alinhamento”, disse.
Ao ser questionado se houve quebra de palavra, respondeu: “Sim, eu acredito que a gente poderia ter continuidade naquela união nossa ali. Foi um grupo vencedor na Mesa dela. Nós poderíamos ter caminhado e vencer a Mesa de novo juntos”.
Mesmo assim, evitou transformar o episódio em rompimento pessoal e afirmou considerar legítima a tentativa de Paula de permanecer na Presidência.
Ilde também afirmou que a participação de Abilio teve peso na decisão da atual presidente de buscar a recondução.
“Não preciso falar que eu acho, isso é público. O prefeito Abilio participou da eleição da Mesa. Ele declarou apoio à Paula, falou que quem quer ter algum diálogo com a Prefeitura teria que estar naquele projeto, naquele grupo”, afirmou.
Para o vereador, o apoio explícito do chefe do Executivo naturalmente influencia parlamentares em uma disputa interna. “Quando um prefeito fala para um vereador ‘eu quero que você dispute, eu acho que você é o melhor caminho, acho que a gente tem que ter uma continuidade’, com certeza isso influencia numa decisão”, declarou.
Porta aberta para composição
Apesar do embate, Ilde afirmou que não fecha a possibilidade de uma composição com Paula antes da eleição da Mesa. Questionado sobre a hipótese de a atual presidente procurar seu grupo para negociar participação em uma futura chapa, Ilde disse que qualquer decisão precisaria ser tomada coletivamente pelos vereadores que integram seu bloco.
“Na política, a gente não pode fechar portas. Portas sempre têm que estar abertas. A Paula, apesar de ela ter tentado disputar a reeleição, é minha amiga. Não tenho nada contra a atual presidente”, disse.
“Hoje eu tenho um grupo de 15 vereadores. Temos que perguntar a opinião de cada um. E, se isso fosse a vontade da Paula, do grupo de lá, eu não falaria ‘não, não tem condição’. Vamos construir, vamos conversar”, completou.
“Coloco a mão no fogo”
Ilde também demonstrou confiança na manutenção dos apoios reunidos para a eleição.
O grupo chegou a contabilizar 15 vereadores, número superior aos 14 necessários para garantir a maioria entre os 27 parlamentares. Mesmo diante das movimentações da reta final, ele afirmou não acreditar em uma debandada.
“Coloco a mão no fogo. Eu não vejo mais alguma oportunidade de eles saírem desse bloco”, declarou.
Ao explicar o que ofereceu politicamente aos aliados, Ilde disse ter prometido uma gestão compartilhada e criticou o modelo que classificou como excessivamente concentrado na figura da Presidência.
“O que eu prometi para eles é isso: eu não recuaria e que nós faríamos uma gestão juntos, ouvindo realmente a opinião de cada vereador, discutindo com cada vereador. Nós não podemos fazer uma gestão como vem alguns anos, uma gestão presidencialista”, afirmou.
Adevair, 2028 e futuro político
A conversa também passou pela adesão de Adevair Cabral ao grupo de Ilde. O vereador, que chegou a permanecer próximo de Paula durante boa parte da articulação, apareceu depois na composição encabeçada por Ilde para ocupar a primeira-secretaria.
Ilde rejeitou a leitura de traição. “Ele traiu quem, se ela não disputou? Ela não é candidata”, respondeu.
Segundo ele, Adevair permaneceu no grupo de Paula enquanto ainda havia possibilidade política e jurídica de manutenção da candidatura e só mudou de posição depois.
“Eu não vejo, de forma alguma, que ele traiu ou que ficou alguma mancha na trajetória dele referente à traição”, afirmou.
O PodOlhar também abordou os projetos para a eleição municipal de 2028. Ilde comentou a intenção já manifestada por Adevair de disputar a Prefeitura e evitou antecipar qualquer definição sobre apoio. “Ele tem esse sonho de disputar a Prefeitura de Cuiabá, acho legítimo”, afirmou.
Sobre quem apoiaria daqui a dois anos, respondeu que a discussão ainda é prematura e destacou a influência do grupo político liderado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos).
“Eu sou de um partido que tem um líder, somos do Podemos, nós andamos muito em grupo. Eu não costumo pensar individualmente. Sou muito grupo, aprendi isso com Max Russi. Então eleição de 2028 vai ficar lá para 2028”, disse.
Ao mesmo tempo, fez questão de pontuar: “Não tenho nada contra o prefeito Abilio também”.
No episódio completo do PodOlhar, Ilde ainda detalha os bastidores da formação do grupo de apoio, fala sobre a relação com Max Russi, comenta a condução de Paula Calil à frente da Câmara e explica como pretende administrar a convivência entre governistas, independentes e oposicionistas caso seja eleito presidente.
O episódio do PodOlhar está na íntegra no canal do videocast no Youtube (assineaqui) e em forma de áudio nas principais plataformas de podcast, como Spotify, Deezer e Apple Podcast – onde você pode assinar e conferir todos os episódios de forma gratuita.
OUÇA AQUI:






