Wilson Santos contesta novos prazos do BRT e diz que cronograma virou “ficção”

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) contestou os novos prazos apresentados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para a conclusão das obras do Ônibus de Transporte Rápido (BRT) e avaliou que não há perspectiva concreta para a entrega integral do sistema entre Cuiabá e Várzea Grande. O posicionamento ocorreu durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com a presença do secretário Marcelo de Oliveira e técnicos da pasta.
Durante os esclarecimentos, a Sinfra informou que o primeiro trecho do BRT, entre o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, e a Avenida Historiador Rubens de Mendonça – Avenida do CPA, em Cuiabá, deverá ter as obras concluídas até dezembro de 2026, sendo que iniciou em junho de 2025 com entrega prevista para dezembro do mesmo ano. Com o atraso, o prazo foi transferido para o fim de 2026.
Já a segunda etapa, que compreende o corredor entre a Avenida Tenente-Coronel Duarte e a região do Coxipó, pela Avenida Fernando Corrêa da Costa, não será executada no atual governo. A Sinfra confirmou que não há licitação e nem contrato para as obras e que a documentação para a compra da frota ainda está em fase de elaboração. Também, informou que a decisão de não abrir uma nova frente de obras foi para evitar novos impactos na mobilidade urbana antes da conclusão do primeiro corredor.
Copa de 2014 – Wilson Santos relembrou que os problemas envolvendo o sistema de mobilidade urbana da região metropolitana se arrastam desde a escolha de Cuiabá como uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014, sendo que o anúncio ocorreu em 31 de maio de 2009, período em que ele exercia o cargo de prefeito da capital. “Não foi a primeira vez que a direção superior da Sinfra é convocada a comparecer para os esclarecimentos de uma obra que se arrasta há quase duas décadas. Lá se vão mais de 17 anos. Comemoramos por Cuiabá ter sido um dos estados escolhidos na Copa, teríamos um rol de obras estratégicas para a cidade e, de lá, passaram-se quase 20 anos. Muitas promessas, prazos e reprazos feitos”, declarou.
Embora tenha reconhecido o volume de investimentos executados pela Sinfra nos últimos anos, o deputado afirmou que o BRT representa um dos principais impasses de infraestrutura da gestão estadual. “A Sinfra tocou um pacote de obras sem precedentes na história política e administrativa de Mato Grosso. Segundo o secretário, foram mais de 7 mil quilômetros de pavimentação asfáltica e 3 mil quilômetros de restauração, mais de 300 pontes de concreto”, reconheceu o parlamentar.
Prazos – Por outro lado, Wilson Santos questionou a insistência na apresentação de novos cronogramas para o BRT diante do histórico de descumprimento dos prazos. Para ele, a ausência de projeto executivo da segunda etapa e as indefinições sobre terminais, estações, frota de ônibus e sistema elétrico de alimentação dos veículos impedem uma previsão segura para a conclusão integral do modal.
“Tem que parar de pensar em prazos, pois não vai terminar este ano. Claro que não vai terminar. A Fernando Corrêa não tem projeto. São 7.200 metros. Não tem um terminal. Cadê o Terminal 15 de Novembro? Terminal do Lago do Rosário e em frente da PM? Passei lá ontem, só mato. Os terminais são zero. Tudo é zero. E os ônibus vão circular? São 54. Serão movidos por eletricidade, cadê o sistema de eletricidade? Ele será subterrâneo, terá um sistema aéreo?”, questionou o deputado.
A Sinfra confirmou na audiência que a aquisição da frota ainda depende da conclusão da documentação para licitação e que a operacionalização dos veículos permanece em estudo. Para Wilson Santos, as próprias informações apresentadas pela Secretaria reforçam a dificuldade de estabelecer uma data definitiva. “Nenhum prazo que a Sinfra dá é cumprido. Não dá mais prazo. O que está aí é um emaranhado e é complexa essa obra. Caiu nas mãos de empresas que nunca trabalharam neste tipo de obra. Não têm experiência nenhuma. O desespero para ganhar dinheiro”, criticou.
Para ele, o histórico iniciado com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e seguido pela implantação do BRT transformou o projeto de mobilidade urbana em uma obra sem prazo concreto de conclusão. Ele comparou a situação de Mato Grosso com a implantação do VLT em Salvador, na Bahia. “Essa é uma novela longa. Começou em 2012 e já está no 14º ano. Os baianos compraram os nossos trens e, em dois anos, já colocaram para rodar o VLT em Salvador. Aqui nos arrastamos há anos, sem ter uma data precisa e um prazo devidamente cumprido. Esses prazos são ficções”, concluiu.






