Wanderley Cerqueira bate-boca com Rogerinho Dakar e denuncia que ex-presidente do DAE aumentou contrato de R$ 800 mil para R$ 3,8 milhões

Wanderley Cerqueira bate-boca com Rogerinho Dakar e denuncia que ex-presidente do DAE aumentou contrato de R$ 800 mil para R$ 3,8 milhões
Parlamentares protagonizaram bate-boca na sessão realizada nesta terça (1) - Montagem RepórterMT

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), denunciou que um contrato do Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG) teria passado de pouco mais de R$ 800 mil para R$ 3,8 milhões durante a gestão do vereador Rogerinho da Dakar (PSDB) à frente da autarquia. A acusação foi feita durante um bate-boca entre os parlamentares na sessão desta terça-feira (1º).

“O contrato do DAE, de oitocentos e poucos mil, Vossa Excelência passou para R$ 3,8 milhões. Você pensou no povo? De R$ 800 mil passou para R$ 3,8 milhões. Assim que pensa no povo, vereador?”, questionou Wanderley.

O valor apontado pelo presidente representa um aumento de aproximadamente 375%, fazendo com que o contrato chegasse a quase cinco vezes o montante inicial.

Rogerinho pediu que o documento citado fosse apresentado publicamente

“Eu gostaria que Vossa Excelência colocasse o contrato a público, porque falar em tribuna…”, começou o vereador, antes de ter a fala interrompida.

A discussão começou durante o debate sobre a situação financeira da Prefeitura e a tramitação de uma suplementação orçamentária de R$ 16 milhões destinada ao DAE. De um lado, Dakar, que é líder da prefeita Flávia Moretti (PL), alegou que a gestão enfrenta dificuldades provocadas por dívidas antigas e bloqueios judiciais. Do outro, Wanderley acusou o Executivo de tentar responsabilizar a Câmara pela falta de recursos e pelos problemas no abastecimento de água.

Rogerinho afirmou que o município acumula mais de R$ 700 milhões em dívidas deixadas por administrações anteriores. Ele também citou um bloqueio judicial de R$ 20 milhões nas contas municipais para o pagamento de precatórios e disse que a medida chegou a colocar em risco o pagamento dos servidores.

“Realmente, a saúde financeira do município está no vermelho. O Poder Executivo não está tendo dinheiro para investimento, porque foram bloqueadas as contas da Prefeitura devido aos precatórios e às dívidas antigas”, declarou.

Wanderley rebateu o líder da prefeita e afirmou que a própria administração municipal solicitou a retirada da proposta de suplementação do DAE. Segundo ele, o projeto foi incluído na pauta após cobranças feitas por Dakar, mas acabou retirado a pedido do Executivo.

“O vereador, líder da prefeita, na sessão passada pediu a inclusão do projeto do DAE. Eu trouxe para incluir, mas aí já está retirando. Eu levei pau na imprensa. Está aqui, R$ 16 milhões que eu deixei de incluir. Eu incluí hoje, mas está aqui a retirada do projeto”, afirmou.

O presidente acusou a gestão municipal de tentar colocar a Câmara contra a população ao atribuir ao Legislativo a responsabilidade pela demora na liberação dos recursos. Ele também cobrou explicações sobre R$ 854 mil devolvidos pela Casa ao Executivo no final do ano passado. O dinheiro, conforme relatou, deveria ser usado no pagamento da empresa responsável pela reforma da sede do Legislativo.

“Nem a reforma da Câmara deste ano, que eu devolvi R$ 854 mil, está sendo paga. Cadê o dinheiro da Câmara que eu devolvi no final do ano? Não tem dinheiro e fica querendo jogar a Câmara contra o povo. Nós temos que ser verdadeiros”, disparou Wanderley.

Rogerinho reagiu e acusou o presidente de atrasar a análise de projetos de interesse da população. Conforme o parlamentar, o pedido de suplementação para o DAE estava na Câmara desde março, antes dos bloqueios nas contas municipais, e precisava ser votado com urgência diante da crise no abastecimento.

“Esse projeto de lei está desde março nesta Casa, pedindo essa suplementação para o DAE. Os bloqueios nas contas da Prefeitura começaram no mês passado”, rebateu.

O líder da prefeita também citou um projeto que concedia desconto de 98% sobre juros e multas, além da possibilidade de parcelamento de dívidas com o município em até 36 meses. Segundo ele, a matéria também demorou a ser colocada em votação.

“O senhor não pensou na população. Porque, se pensasse, colocava de forma emergencial. Vários projetos estão sendo segurados nesta Casa de Leis. O senhor não pensou na família várzea-grandense que não tem água na torneira”, acusou Dakar.

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(RepórterMT)

Astrogildo Aécio Nunes

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