Vitória de Lula pode fortalecer oposição a Milei na Argentina, diz especialista

Vitória de Lula pode fortalecer oposição a Milei na Argentina, diz especialista
Divulgação

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais brasileiras pode favorecer a reorganização da esquerda argentina e ampliar as chances de a oposição voltar ao poder em 2027, segundo Priscila Caneparo, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em direito internacional. Em entrevista ao SBT News e ao SBT Brasil nesta quarta-feira (28), ela afirmou que há mobilização contra a reeleição do presidente Javier Milei, motivada por críticas à condução econômica e diplomática do governo.

Segundo Caneparo, Milei não esperava a vitória de Lula, que, na avaliação dela, consolidou o Brasil como “um dos poucos bastiões da esquerda ainda na América Latina”. O presidente argentino havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e demonstrado alinhamento político com o senador brasileiro, em um contexto de aproximação entre lideranças da direita internacional.

Sobre a passagem de Flávio pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos, a professora considera improvável que o episódio provoque mudanças significativas nas relações diplomáticas entre os dois países. Ela, porém, afirmou que, caso seja comprovado que autoridades argentinas tinham conhecimento de uma determinação judicial brasileira que impedia o senador de deixar o país, poderá haver questionamentos sobre o cumprimento de acordos de cooperação internacional. “A extrema direita é uma rede mundial. Ela se ajuda muito fortemente nesses momentos de crise justamente por conta desse fortalecimento da ideologia não apenas em uma pessoa”, disse.

Apesar da possibilidade de questionamentos jurídicos, Caneparo avalia que o caso não deve comprometer as relações comerciais entre Brasil e Argentina, marcadas pela interdependência econômica e pela participação de ambos no Mercosul. A professora também destacou o avanço do processo de ratificação do acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia. “Acho que vai acabar sendo uma rusga, mas que não vai impactar a ponto de garantir o estremecimento das relações diplomáticas, nem muito menos afetando a economia entre esses dois países”, concluiu.

(Redação RDM Online)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?