TRE adia pela segunda vez conclusão de processo que pede cassação da chapa de vereadores do PP

TRE adia pela segunda vez conclusão de processo que pede cassação da chapa de vereadores do PP
Assessoria

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) adiou pela segunda vez a conclusão do processo que pede a cassação da chapa de vereadores do Partido Progressista (PP) de Campo Novo do Parecis. O caso envolve uma denúncia de fraude à cota de gênero, supostamente cometida pela legenda nas eleições municipais de 2024. A decisão pelo adiamento ocorreu nesta quarta-feira (16), após pedido de vista do juiz-membro substituto Gilberto Lopes Bussiki.

Representante do suplente de vereador Wesley Alves da Luz (PL), autor da ação, o advogado Marco Marrafon destacou que o caso ultrapassa os limites da irregularidade eleitoral e revela um cenário de violência política. Em sua sustentação oral no Tribunal, Marrafon enumerou uma série de fatos que indicam que o PP não ofereceu às candidatas Jack do Uber e Eva Silva condições minimamente adequadas para disputa do pleito.

“O quadro em si é muito grave. Ele indica claramente que houve uma assunção de riscos pelo Diretório Municipal dos Partidos Progressistas, em que não se deu as mínimas condições de uma candidatura real e competitiva para essas mulheres. Isso incide não só em fraude à cota de gênero, mas em própria violência política, ao não garantir que essas mulheres tivessem acesso a uma estrutura que permitisse, verdadeiramente, disputar a eleição”, argumentou.

Entenda o caso

O caso de Campo Novo do Parecis, envolve uma queixa contra o Partido Progressista (PP) que, conforme o denunciante, registrou as candidaturas de Eva Alves de Sousa Silva e Jackeline Freitas da Silva (Jacke do Uber) apenas para cumprir a exigência legal de 30% de cota feminina. A ação aponta a inexistência de atos efetivos de campanha, votação pífia ou zerada, e gastos de campanha padronizados e ínfimos.

De acordo com o processo, Eva Silva e Jack do Uber tiveram apenas uma doação de R$ 702 para cada, direcionados supostamente para despesas gráficas. Ao mesmo tempo, uma terceira candidata ficou com a conta total de R$ 15 mil, recebida pelo PP do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para custear candidaturas femininas. Também foi apontada a falta de registros de atos de campanhas de Eva e Jacke.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) também já emitiu parecer recomendando a cassação de todos os diplomas dos candidatos eleitos pela legenda, além da nulidade dos votos recebidos pelo partido.

“Este é um momento que antecede um ano eleitoral e que haverá graves implicações. O que se decidir neste momento será guia para advogados, partidos políticos, para a construção de candidaturas nas próximas eleições. E ainda dá tempo de fomentar candidaturas femininas reais, efetivas, viáveis, com fundo eleitoral, com ato de campanha. O princípio majoritário democrático inclui o respeito às regras eleitorais”, finalizou Marrafon.

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