Tartaruga deformada por plástico completa 41 anos e ganha festa de aniversário nos EUA

Peanut, uma tartaruga-de-orelha-vermelha (Trachemys scripta elegans) que se tornou um símbolo mundial da luta contra o lixo plástico, acaba de completar 41 anos, e foi celebrada com uma festa de aniversário nos Estados Unidos.
O evento, organizado pelo Departamento de Conservação do Missouri (MDC), reuniu atividades educativas e recreativas para crianças e adultos no último sábado (23), que reforçavam a importância do cuidado com a vida selvagem.
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A história de Peanut tem um começo triste. Ela viveu seus primeiros anos como uma tartaruga comum nas margens de um rio do Missouri. Porém, ainda filhote, acabou ficando presa em um anel plástico de seis latas — um dos resíduos mais comuns em áreas urbanas e cursos d’água.
Com o passar do tempo, seu corpo cresceu ao redor do plástico, comprimido como se usasse um espartilho. Aos nove anos, sua forma lembrava um amendoim partido ao meio, e foi assim que ganhou o seu nome, que na tradução para o português significa “Amendoim”. “As condições a deixavam ainda mais vulnerável a predadores”, destaca a BBC News.
Em 1993, ela foi resgatada por moradores e levada ao Zoológico de St. Louis, onde veterinários conseguiram finalmente retirar o plástico do animal. O dano, porém, já era irreversível: seu casco permaneceria deformado para sempre, e até órgãos internos, como os pulmões, ficaram comprometidos. Por não ter condições de retornar à natureza, ela foi encaminhada ao MDC, que desde então cuida de sua sobrevivência.
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De vítima a símbolo ambiental
Se por um lado a deformidade representava uma sentença, por outro, transformou-se em um poderoso instrumento de conscientização. A foto de Peanut foi usada em campanhas como a No More Trash (“Chega de Lixo”), promovida em conjunto pelos Departamentos de Conservação e Transporte do Missouri, que mobilizaram voluntários em limpezas de rios e realizaram ações educativas sobre redução, reciclagem e descarte adequado de resíduos.
Segundo o MDC, resíduos plásticos – especialmente os com furos ou em forma de arco, como anéis de latinhas – representam sérias ameaças à fauna. Animais podem prender-se neles, entrar em pânico e não conseguir escapar. Já fios e linhas de pesca, praticamente invisíveis em ambientes aquáticos, podem enroscar-se em nadadeiras e pescoços, levando à morte por sufocamento ou inanição.
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Outro problema grave é a ingestão de microplásticos. “Os animais normalmente não conseguem diferenciar lixo de comida, então eles comem essas coisas e se asfixiam ou terminam com o estômago cheio de plástico e morrem de fome”, explica o Departamento, em nota.
Peanut, por ter um casco rígido, sobreviveu onde muitos outros bichos não resistiriam. Se isso tivesse ocorrido com outra espécie, como uma lontra, o animal teria provavelmente morrido por uma infecção.
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41 anos de vida e de luta
Hoje, a tartaruga vive em cativeiro, em segurança. Apesar de não poder voltar à natureza, sua imagem percorreu jornais, programas de TV, feiras e até sites internacionais, lembrando milhões de pessoas do impacto do lixo no planeta.
Sua festa de aniversário de 41 anos refletiu esse espírito educativo. Não à toa, contou com oficinas de cartões, desenhos para colorir, atividades de conscientização e até a curiosa brincadeira nomeada de “Coma como uma Tartaruga”, em que os visitantes puderam experimentar comidas inspiradas na dieta do animal (como minhocas e grilos preparados de forma lúdica).
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“Peanut pode não ser mais uma adolescente, mas sua mensagem poderosa continua a lembrar as pessoas de colocarem o lixo no lugar”, ressalta o MDC.
O caso da tartaruga ganhou relevância em 1984, ano em que as “Tartarugas Ninja” estrearam nas histórias em quadrinhos. Quatro décadas depois, sua história segue tão atual quanto antes: estudos indicam que milhões de animais morrem todos os anos por interação com resíduos plásticos, e a reciclagem ainda é insuficiente diante da produção global.
A vida de Peanut virou uma lembrança constante de que pequenas ações, como cortar anéis plásticos antes de descartá-los, reduzir o uso de embalagens descartáveis e dar destino correto ao lixo, podem salvar inúmeras vidas na natureza.
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(Por Arthur Almeida)






