Super El Niño no Pacífico acende alerta sanitário para colapso simultâneo na saúde pública de Mato Grosso

Super El Niño no Pacífico acende alerta sanitário para colapso simultâneo na saúde pública de Mato Grosso
Pesquisadores e Opas alertam para o risco de atendimento simultâneo de crises respiratórias e surtos de dengue durante a seca. Foto: Imagem Ilustrativa

A confirmação de que o fenômeno El Niño caminha para alcançar níveis de intensidade raramente vistos na história recente acendeu um sinal vermelho que vai muito além das perdas na agricultura ou do risco de estiagem severa.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em 69% a probabilidade de o evento atual superar os maiores picos registrados desde 1950, criando um cenário de emergência sanitária direta para Mato Grosso.

Boletim do Climate Prediction Center (CPC) indica mais de 90% de chance de o “Super El Niño” atingir seu ápice entre o fim de 2026 e o início de 2027.

No território mato-grossense, o impacto imediato é o agravamento do coquetel climático já conhecido: calor extremo, umidade relativa do ar em níveis críticos e a proliferação de fumaça decorrente dos incêndios florestais.

O perigo do “efeito cascata” na rede hospitalar

Segundo alertas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e de pesquisadores da Fiocruz e da UFMT, a maior ameaça para o Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso não é o surgimento de uma nova doença, mas a confluência de múltiplos agravos ao mesmo tempo.

A sobreposição de fatores ambientais tende a saturar diferentes frentes da rede pública:

  • Aparelho Respiratório: O aumento

    da fuligem e do material particulado suspenso no ar dispara crises de asma, bronquite e rinite em crianças e idosos;

  • Estresse Térmico e Cardiovascular: Termômetros em marcas extremas elevam os quadros de desidratação severa, insolação e picos de pressão arterial, aumentando a incidência de infartos e AVCs;
  • Doenças de Vetores: As mudanças abruptas no regime de chuvas alteram a reprodução e o comportamento do Aedes aegypti e de outros vetores, criando picos atípicos de dengue, chikungunya, zika, malária e febre amarela fora dos períodos sazonais tradicionais.

Monitoramento estadual e orientações à população

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) mantém o rastreio contínuo dos indicadores epidemiológicos sensíveis ao clima. A recomendação da Opas é que os governos cruzem dados meteorológicos com a gestão de leitos para prever picos de internação e evitar  desabastecimento de insumos e medicamentos.

Para os moradores, especialistas reforçam a necessidade de reforçar a hidratação diária, evitar a prática de exercícios nos horários de pico de calor e fumaça, manter a vacinação atualizada e eliminar pontos de água parada nos quintais. A evolução do fenômeno exige que a saúde pública seja tratada, a partir de agora, sob a lente da emergência climática.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

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