Sol de rachar e grama seca acendem alerta em Mato Grosso; calor e baixa umidade exigem cuidados

Sol de rachar e grama seca acendem alerta em Mato Grosso; calor e baixa umidade exigem cuidados
Sol de rachar e grama seca acendem alerta em Mato Grosso; calor e baixa umidade exigem cuidados

O cenário já é conhecido dos mato-grossenses nesta época do ano: céu limpo, calor intenso, grama amarelada e uma sensação constante de ar seco. Com a chegada do período de estiagem, que se estende até meados de outubro, especialistas reforçam o alerta para os riscos à saúde, ao meio ambiente e ao aumento das queimadas em diversas regiões de Mato Grosso.

Em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, os efeitos da seca já podem ser observados nas áreas urbanas e rurais. A vegetação perde a umidade, gramados ficam ressecados e qualquer foco de fogo pode se espalhar rapidamente diante das condições climáticas favoráveis.

O alerta ganha ainda mais relevância neste mês de julho, quando é celebrado o Dia de Proteção às Florestas, em 17 de julho. A data reforça a necessidade de preservação dos ecossistemas em um cenário marcado por temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e aumento dos eventos climáticos extremos.

Calor intenso e ar seco preocupam especialistas

Além dos impactos ambientais, a estiagem também afeta diretamente a saúde da população. Durante os meses mais secos do ano, aumentam os casos de problemas respiratórios, irritação nos olhos, ressecamento da pele, dores de cabeça, sangramentos nasais e desidratação.

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas formam o grupo mais vulnerável aos efeitos do clima seco.

Entre as principais recomendações estão:

  • Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
  • Evitar atividades físicas nos horários mais quentes do dia;
  • Utilizar umidificadores ou recipientes com água nos ambientes;
  • Manter a pele hidratada;
  • Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h;
  • Redobrar os cuidados com crianças e idosos.

Grama seca aumenta risco de incêndios

A combinação entre vegetação ressecada, ventos e baixa umidade cria um ambiente favorável para a propagação de incêndios florestais.

Segundo especialistas, um pequeno foco de fogo em terrenos baldios, margens de rodovias ou áreas rurais pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções.

Além dos prejuízos ambientais, as queimadas afetam a qualidade do ar, aumentam a incidência de doenças respiratórias e provocam impactos econômicos para produtores rurais e municípios.

Estudo aponta aumento das ondas de calor em Mato Grosso

As preocupações não se limitam ao presente. O livro “Indicadores do Clima em Mato Grosso”, lançado pelo Instituto INCA (Inclusão, Cidadania e Ação), apresenta projeções que apontam aumento das secas prolongadas, das ondas de calor e dos incêndios florestais nas próximas décadas.

A publicação reúne estudos desenvolvidos ao longo de três anos pela Câmara Setorial Temática de Mudanças Climáticas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e conta com a participação de mais de 50 pesquisadores e especialistas.

O material mostra que, caso o aquecimento global continue avançando, Mato Grosso poderá enfrentar eventos climáticos cada vez mais severos até 2050, afetando áreas como saúde pública, infraestrutura, logística, abastecimento de água e produção agropecuária.

Amazônia preocupa pesquisadores

Durante os debates que contribuíram para a elaboração do estudo, o climatologista Carlos Nobre, referência internacional em mudanças climáticas, alertou para a transformação da Amazônia em uma fonte de emissão de carbono.

Segundo ele, a floresta perdeu parte da capacidade de absorver gases de efeito estufa e corre riscos crescentes caso o desmatamento e o aquecimento global continuem avançando.

O pesquisador destaca que a preservação das florestas é uma das principais ferramentas para reduzir os impactos das mudanças climáticas e proteger recursos essenciais como água, biodiversidade e qualidade do ar.

Próximos meses exigem atenção redobrada

Com a estiagem apenas começando, os próximos meses exigem atenção especial da população e dos órgãos de fiscalização ambiental.

Além de evitar queimadas, especialistas defendem ações de prevenção, conscientização e preservação ambiental para reduzir os impactos do período seco.

Enquanto o calor segue castigando Mato Grosso, a recomendação é simples: hidratação constante, proteção contra o sol e atenção máxima para evitar qualquer foco de incêndio que possa colocar em risco vidas, propriedades e o meio ambiente.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

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