Sistema de Plantio Direto: método sustentável retém carbono no solo, economiza água e diminui necessidade de adubação

Sistema de Plantio Direto: método sustentável retém carbono no solo, economiza água e diminui necessidade de adubação
Divulgação

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) vem realizando, já alguns anos, estudos para encontrar o método mais eficiente e sustentável de produção, de acordo com tipos diferentes de solo e região. O Sistema de Plantio Direto é considerado o mais sustentável, não apenas economicamente, mas também ambientalmente, com impactos positivos na, conservação de cursos hídricos, preservação do solo contra a erosão e diminuição do uso de adubos e fertilizantes. Estes impactos, consequentemente, influenciam na qualidade de vida no campo, mas também nas cidades, principalmente pela retenção de carbono no solo.

De acordo com a pesquisadora Daniela Facco, especialista em ciências do solo que atua no Centro Tecnológico (CTECNO) da Aprosoja em Campo Novo do Parecis, no bioma do Cerrado, o solo, como um todo, é considerado “pobre”, tanto os de característica arenosa, quanto os argilosos e os de textura média. Devido a isso, a expansão agrícola em nosso estado só foi possível por causa do avanço das técnicas de correção dos solos.

“A correção dele é feita por meio de calcário, que é um insumo agrícola essencial. Isso vai fazer com que a gente dê uma condição química melhor para esse solo. A gente também precisa fertilizar ele, que significa colocar os nutrientes necessários, como fósforo, potássio, enxofre. (…) Só que além disso, a gente precisa melhorar biologicamente esse solo, porque um solo, por mais que ele tenha uma característica química muito boa, se ele for biologicamente pobre, a gente vai ter perda de produtividade”, explicou.

É justamente nesta melhoria da atividade biológica do solo que se utiliza o sistema de plantio direto. No CTECNO Parecis a Aprosoja já possui 10 anos de resultados de pesquisas que, entre outros resultados, apontam os benefícios do sistema que conserva mais o solo.

“E aí como a gente melhora biologicamente o solo? Através de palhada, conservação do solo, não revolver esse solo, colocar diversidade de culturas, aportar nitrogênio nesse solo por meio de plantas de cobertura que façam isso, não por meio de fertilizantes. Então isso tudo a gente tem visto. Hoje, em 10 anos de pesquisa, se vocês me perguntarem qual é o principal resultado que a gente tem, é que as práticas que promovem a conservação do solo são as que entregam as melhores produtividades”, explicou Daniela.

O coordenador de Pesquisa do CTECNO Araguaia, André Somavilla, reforçou que o Sistema de Plantio Direto é baseado em três pilares.

“Quando a gente fala em sistema de plantio direto, a gente tem que entender ele como sendo composto por um tripé: o mínimo revolvimento do solo, a manutenção da palhada e a rotação de culturas”.

Nos CTECNOs, a Aprosoja estuda alguns tipos de rotação de culturas. No CTECNO Parecis há testes de rotação entre soja e braquiária, soja e milheto, soja e milho, entre outros. Também estudam os resultados destas rotações por diferentes períodos.

“Aqui a gente tem uma combinação de sete tratamentos que rotacionam as culturas, por quê? A gente quer trazer aporte de palha, aporte de nitrogênio para o nosso sistema de produção, controle de nematóide, melhor utilização do local, do ambiente de produção, com o objetivo de trazer rentabilidade para o produtor. Embora em alguns casos a gente possa ter uma produtividade alta, mas se essa produtividade atividade alta vier acompanhada por um custo de produção alta ou por uma não estabilidade temporal dessa produtividade, ela não adianta”, explicou André.

Por causa desta rotação e com o não revolvimento do solo, o sistema de Plantio Direto acaba sendo bastante sustentável em três frentes: ambiental, econômica e social.

“Quando a gente fala em sustentabilidade econômica, um sistema de produção mais rentável, há resultados que mostram que [o sistema de plantio direto] tem uma melhor sustentabilidade econômica. Quando a gente fala de uma maior sustentabilidade ambiental, ele é um sistema que aporta carbono, mantém palha, é um sistema que eu não perco nutriente para os corpos hídricos (….). E o terceiro pilar que é a sustentabilidade social, se eu tenho uma lavoura mais rentável, mais ambientalmente amigável, eu tenho uma sociedade mais satisfeita e mais beneficiada”, disse o pesquisador.

Ou seja, a matéria orgânica deixada pela cultura anterior permanece no solo, o que faz o solo reter umidade (exigindo menos irrigação), ser enriquecido biologicamente e também reter carbono.

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“O Sistema de Plantio Direto na sucessão soja e milho é o mais tradicional feito amplamente no Brasil inteiro. No geral, há pesquisas hoje que demonstram que a média anual é o sequestro de 1.9 tonelada de carbono. (…) Então, é algo que no mundo você não vê igual, e de forma contínua ao longo dos anos. Nós temos áreas aqui no estado que já vem fazendo isso há 30 anos”, disse o presidente da Aprosoja, Lucas Costa Beber.

Beber destacou que este é um dos fatores de maior impacto na sociedade.

“Então, cada vez mais, além de sequestrar carbono, de tirar esse carbono da atmosfera, você também incrementa ele no solo, aumentando a matéria orgânica e consecutivamente você consegue armazenar mais água nesse solo, aí essa atividade biológica também vai ajudar melhor na decomposição desses nutrientes e na disponibilidade dele para as plantas. Ou seja, é um sistema que além de ser sustentável ambientalmente, ele traz essa sustentabilidade econômica maior”.

De acordo com a Aprosoja, o Sistema de Plantio Direto foi desenvolvido no Paraná, no final da década de 1980, e hoje é adotado em praticamente 100% das áreas de cultivo de soja e milho em Mato Grosso. O principal objetivo é preservar o solo, reduzindo significativamente os processos de erosão, e favorecer a microbiota do solo, promovendo melhores condições para os organismos vivos responsáveis pela sua fertilidade e equilíbrio.

No entanto, como a manutenção da palhada sobre o solo é um dos pilares do plantio direto, os incêndios representam uma das maiores ameaças ao sistema. Por isso, os produtores investem constantemente em equipamentos, estratégias de prevenção e treinamento das equipes das fazendas para o combate ao fogo.

Tomando os devidos cuidados, o resultado da melhoria da qualidade biológica do solo é visível nas plantas, de acordo com a quantidade de palhada.

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CTECNOs

Conforme destacado pela Aprosoja, as pesquisas nos CTECNOs são conduzidas de forma independente e imparcial, com foco exclusivo na geração de resultados

confiáveis

. O intuito é saber o que, de fato, traz melhores resultados para o produtor.

Esse modelo fortalece a credibilidade dos dados gerados, amplia a confiança do produtor e possibilita que o conhecimento científico seja aplicado diretamente de forma prática nas propriedades rurais.

O CTECNO mais antigo é o de Campo Novo do Parecis, que já possui 10 anos de pesquisas. Daniela Facco já atua no CTECNO Parecis há cerca de cinco anos.

“Hoje são as duas grandes linhas de pesquisas aqui do CTECNO Parecis, que é essa parte de solos, relacionada a adubação, conservação, correção e a parte de sistemas de produção, relacionada a rotação de culturas, sucessão de culturas, então essas são as duas grandes linhas de pesquisa. Mas além dessas, a gente faz outras linhas de pesquisa. Atualmente estamos trabalhando com algumas parcerias na parte de plantas daninhas, também avaliando alguns fertilizantes folhares para as culturas, também temos pesquisas na parte de biológico, então é um grande polo de informações”.

Nesta unidade estão sendo conduzidos em torno de 35 a 40 experimentos por ano, no caso, pesquisas de longa duração. Essa estação de pesquisa trabalha com solos de textura média e arenosa. Os solos arenosos são considerados problemáticos pela maior dificuldade em reter nutrientes.

Hoje há uma parcela considerável de áreas com solo arenoso sendo agricultadas em Mato Grosso e por isso há o interesse da Aprosoja em avançar nas pesquisas, para expandir mais as fronteiras agrícolas. O presidente da Aprosoja, Lucas Beber, apontou que o investimento em pesquisa reflete, futuramente, em economia.

“Quando você fala em prejuízo, às vezes nós pagamos muito caro pela falta de conhecimento. Aqui é um centro de pesquisa que já é mantido pelos produtores através do fundo da Aprosoja e aqui nós podemos nos dar o luxo de errar, de acertar e replicar aquilo que dá certo para outros produtores. Ou seja, aqui de fato é simulado tudo aquilo que o produtor diz que está dando resultado ou que teve problema e de fato é verificado e repetido ao longo dos anos. O mais importante pelo centro estar completando 10 anos esse ano é justamente que você tem a replicação desses testes ao longo dos anos, ou seja, não é uma vez, não é uma estatística, são várias estatísticas que fazem ele filtrar e tomar uma decisão mais acertada”.

(Olhar Direto)

Astrogildo Aécio Nunes

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