Sandália romana de 2 mil anos pertencia a soldado que calçava 45

Durante escavações na região do Forte Magna Romana, no norte da Inglaterra, em maio, equipes arqueológicas se depararam com algumas trincheiras que preservaram diversos objetos em seu interior ao longo dos séculos. Dentre os achados, duas sandálias de couro, datadas com 2 mil anos, foram os itens que mais chamaram a atenção dos especialistas.
Enquanto um dos pés apresentava boa parte da estrutura da sola intacta, o outro tinha impressionantes 32 centímetros de comprimento (o equivalente a um calçado 45 na numeração brasileira atual). Assim, os pesquisadores acreditam que o estudo desses elementos poderá providenciaram insights valiosos sobre as técnicas de confecção de calçados na antiguidade.
Análise das sandálias romanas
No passado, Magna guardava a junção entre duas importantes estradas romanas, a Via da Donzela e o Stanegate. O forte foi construído por volta de 80 d.C. e ficava a poucos passos da Muralha de Adriano, que marcava a fronteira norte do Império Romano. O espaço servia como uma barreira protetora contra as investidas das tribos “bárbaras” que viviam no que hoje é a Escócia.
As vestimentas de couro sobreviveram em suas valas graças às condições anaeróbicas da lama encharcada. Conhecidas como “quebra-tornozelos”, essas estruturas eram projetadas para prender soldados desavisados. Não à toa, eram profundas, estreitas e cheias de água para esconder sua profundidade real.
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Como destaca o Popular Mechanics, um dos pés tinha todas as suas camadas da sola, juntamente com parte do salto e a maioria dos cravos na sola externa. Mas, como faltava a área dos dedos no solado, não foi possível estimar o tamanho original do item, nem do pé de seu usuário.
“Isso nos dá uma boa ideia de como os sapatos romanos eram feitos. Múltiplas camadas de couro eram usadas para formar a sola, unidas com pinças, costuras e cravos”, escreveu Rachel Frame, uma das arqueólogas responsáveis pelo projeto, no diário online da escavação. “Eles também reforçavam a superfície externa para caminhar e são encontrados em muitos estilos de calçados”.
O segundo pé, por sua vez, tinha apenas uma das camadas de sua sola. No entanto, seu comprimento podia ser visto de forma integral. Do calcanhar à ponta, ele contava com 32 centímetros. Isso é comparável a um calçado tamanho 45 nos tamanhos masculinos brasileiros.
Dono da enorme sandália
Ainda não se sabe exatamente a quem pertencia o calçado. Inscrições em Magna revelem que o forte já hospedou uma coorte de arqueiros sírios, bem como infantaria dálmata e outras unidades militares romanas. Mas não foram apenas os soldados que ocuparam o local. Acredita-se que tenha existido um grande assentamento na junção dessas duas estradas romanas no norte da Inglaterra.
A equipe de pesquisa, inclusive, encontrou recentemente uma paleta de maquiagem de mármore que pode servir de evidência para apoiar essa hipótese. O item teria sido usado por uma cidadã para misturar pigmentos com gorduras ou óleos para criar batom, blush ou outros cosméticos faciais.
“Em geral, a preservação anaeróbica aqui tem sido muito boa, o que é muito promissor para nossas futuras escavações”, observa Flame, em vídeo publicado no YouTube. “Esperamos que, quando nos mudarmos para dentro do forte, vamos encontrar construções de madeira remanescentes, que ajudem a preencher as lacunas dessa história”.
(Por Arthur Almeida)






