Sala de aula e Eleições

Sérgio Cintra
As eleições presidenciais no Brasil representam mais do que a simples escolha de um governante; elas são o reflexo da maturidade democrática e do rumo das conquistas sociais do país. Nesse cenário de disputa de projetos e visões de mundo, a sala de aula emerge como um espaço vital para a sustentação das instituições. Longe de ser um ambiente de neutralidade passiva, a escola atua como o principal terreno onde se cultiva a consciência crítica necessária para que o ato de votar se transforme em um exercício pleno de cidadania e de transformação social. Nesses 46 anos em sala de aula, vivi contextos díspares: da Ditadura Militar (1964 – 1985) à Redemocratização, em 1989, pelo voto direto.
O papel dos educadores na preservação da Democracia é, fundamentalmente, o de formar cidadãos capazes de ler o mundo de maneira autônoma. Em tempos de polarização intensa e de disseminação massiva de desinformação, a responsabilidade do professor se agiganta. Como bem ensinava o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Cabe ao corpo docente instrumentalizar os estudantes para que saibam distinguir propostas factíveis de discursos populistas, compreender a separação dos poderes e reconhecer a importância do debate público respeitoso. Ao estimular o questionamento e o pensamento científico, a educação constrói a blindagem social necessária contra o autoritarismo e o enfraquecimento das liberdades individuais.
Além da defesa institucional, a prática pedagógica está intimamente ligada à manutenção e à ampliação das conquistas sociais históricas do povo brasileiro. Direitos fundamentais como o acesso à saúde universal, a inclusão social, a preservação ambiental e a própria educação pública de qualidade não são concessões governamentais, mas vitórias decorrentes de intensas lutas políticas. Os educadores desempenham a função crucial de resgatar essa memória histórica, mostrando às novas gerações que o voto para presidente impacta diretamente o financiamento e a perenidade dessas políticas públicas, que reduzem as profundas desigualdades estruturais do país.
Por fim, a relação entre o pleito presidencial, o magistério e o futuro da nação exigem um compromisso ético inabalável com o pluralismo. Votar com responsabilidade é entender o passado e projetar o amanhã; e o professor é o mediador dessa travessia. Quando a educação cumpre o seu papel de despertar o sujeito para a relevância de suas escolhas políticas, ela não apenas protege a Democracia nas urnas, mas garante que os avanços sociais conquistados até aqui permaneçam vivos e em constante expansão para as próximas gerações.
Sérgio Cintra é professor de linguagens e servidor do TCE – MT. – sergiocintraprof@gmail.com
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