Safra de soja pode bater recorde, mas crédito é desafio para produtores

O Brasil iniciou o plantio da soja 2026/27 com expectativa de produzir entre 183,5 milhões e 185,6 milhões de toneladas, mas o resultado dependerá também da capacidade financeira dos produtores. Crédito restrito, custos elevados e dívidas acumuladas podem limitar os investimentos necessários para a formação das lavouras, mesmo diante do potencial de uma nova safra recorde. O país deverá cultivar entre 49 milhões e 49,3 milhões de hectares.
O Plano Safra 2026/27 destinou R$ 610,3 bilhões para o financiamento da agropecuária, sendo R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para a agricultura familiar. Para custeio e comercialização da produção empresarial foram previstos R$ 384,9 bilhões, enquanto R$ 140,2 bilhões são destinados a investimentos. No entanto, o volume anunciado não significa que todos os produtores terão acesso ao dinheiro, já que as operações dependem de análise de risco, garantias, limites bancários e capacidade de pagamento.
Em Mato Grosso, onde são esperados 13,05 milhões de hectares de soja, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima um custo de custeio de R$ 4.315,29 por hectare. Se essa referência fosse aplicada à área nacional, o valor chegaria a aproximadamente R$ 212 bilhões. O financiamento também tem sido buscado por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs), barter, cooperativas, tradings e outras alternativas, enquanto produtores endividados enfrentam dificuldades para renovar o crédito.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso, Isan Rezende, a safra projetada próxima de 186 milhões de toneladas ainda depende de condições que vão além das chuvas. Segundo ele, o produtor precisa ter acesso a financiamento no momento correto para comprar sementes, fertilizantes, defensivos e demais insumos. Com margens menores e dívidas acumuladas, atrasos na liberação do crédito ou custos incompatíveis podem reduzir os investimentos e, consequentemente, a produtividade. Assim, além do clima, o acesso ao dinheiro será decisivo para transformar a previsão de recorde em produção efetivamente colhida.
Da Redação RDM Online






