Restos mortais do rei Alfredo, o Grande, estão debaixo de estacionamento, diz pesquisador

Restos mortais do rei Alfredo, o Grande, estão debaixo de estacionamento, diz pesquisador
Retrato de Alfredo, o Grande, monarca responsável por defender Wessex contra os vikings, incentivar a educação e lançar as bases para uma Inglaterra unificada — Foto: Domínio público/Wikimedia Commons

Por mais de um século, o paradeiro dos restos mortais de Alfredo, o Grande — rei anglo-saxão considerado um dos fundadores da Inglaterra — intriga historiadores e arqueólogos. Agora, o pesquisador de história britânica Graham Phillips afirma ter solucionado esse mistério. Segundo ele, os ossos do monarca estariam enterrados sob um estacionamento na cidade inglesa de Winchester.

A hipótese foi apresentada após mais de uma década de investigação conduzida por Phillips. Segundo o pesquisador, um artigo datado de 1800 encontrado nos arquivos da Universidade de Cambridge descreve que os restos mortais teriam sido retirados durante construções realizadas no século 18 e enterrados em outro ponto da antiga área da Abadia de Hyde. Um mapa incluído no documento indicaria exatamente onde isso aconteceu — local que hoje corresponde a um estacionamento.

Como destaca a revista Smithsonian, apesar da repercussão, a teoria ainda não foi verificada por outros pesquisadores nem recebeu o reconhecimento da Universidade de Winchester, que há anos conduz pesquisas sobre o paradeiro do rei. Mas o que, afinal, sustenta essa hipótese?

Os “ossos andarilhos”

Alfredo, o Grande governou o reino de Wessex entre 871 e 899. Além de liderar a resistência contra as invasões vikings, ficou conhecido por promover reformas na administração, incentivar a educação e lançar as bases para a futura unificação da Inglaterra.

Depois de sua morte, no entanto, seus restos mortais iniciaram uma longa trajetória. O rei foi sepultado inicialmente na antiga catedral de Winchester, conhecida como Old Minster. Mais tarde, seu filho, Eduardo, o Velho, transferiu os restos para a New Minster e, por volta de 1110, toda a família real foi levada para a Abadia de Hyde, onde Alfredo foi enterrado entre sua esposa e seu filho, diante do altar principal.

O cenário mudou no século 16, quando Henrique 8º promoveu a Dissolução dos Mosteiros. A abadia foi desmontada, embora os sepultamentos tenham permanecido no local. A situação se complicou ainda mais em 1788, quando um asilo e uma prisão foram construídos sobre as ruínas. Relatos da época descrevem que os túmulos foram abertos e os ossos, espalhados durante as obras.

Décadas depois, entre 1866 e 1867, o antiquário John Mellor afirmou ter encontrado os restos da família real de Wessex. Os ossos foram vendidos ao reitor da Igreja de São Bartolomeu, que os enterrou em uma sepultura sem identificação. Por muitos anos, acreditou-se que aquele fosse o destino final de Alfredo.

Escavações mudaram a investigação

Essas hipótese começou a cair em 2013, quando arqueólogos da Universidade de Winchester exumaram a chamada “sepultura sem identificação”. A análise mostrou que ela continha restos de pelo menos seis pessoas diferentes e que todos viveram entre 1100 a 1500, ou seja, pelo menos 200 anos depois da morte de Alfredo, como destaca um comunicado. Os pesquisadores concluíram que aqueles ossos não pertenciam ao rei nem aos demais membros da família real.

Assim, outra pista importante surgiu durante as pesquisas. A osteoarqueóloga Katie Tucker reexaminou materiais recuperados em escavações realizadas na Abadia de Hyde na década de 1990 e identificou um fragmento de osso pélvico encontrado na região do altar principal.

A datação por radiocarbono (que estima a idade de amostras arqueológicas) realizada pela Universidade de Oxford, indicou que o osso pertenceu a um homem que viveu entre os anos 895 e 1017. Com a análise osteológica, que determina um perfil biológico detalhado, os pesquisadores estimam que o indivíduo tinha um idade aproximada entre 26 e 45 anos na época de sua morte.

Como não existia um cemitério anglo-saxão naquele local e apenas Alfredo e seu filho Eduardo, o Velho, teriam sido enterrados diante do altar principal, a universidade considera que esse fragmento provavelmente pertence a um dos dois reis.

Agora, Phillips acredita que o restante dos ossos nunca foi levado para a sepultura analisada em 2013. Em vez disso, eles teriam sido removidos durante as obras da prisão no século 18 e enterrados em outro ponto da antiga abadia, exatamente onde hoje existe um estacionamento. Para testar a hipótese, ele defende que o local seja investigado inicialmente com radar de penetração no solo, evitando escavações invasivas na região.

Por Sarah Macedo

Astrogildo Aécio Nunes

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