# Quando cada passo vira voz: Novo Mundo corre pela vida e contra a violência à mulher

# Quando cada passo vira voz: Novo Mundo corre pela vida e contra a violência à mulher
A primeira-dama e secretária municipal de Assistência Social de Novo Mundo, *Elena Oliveira Guimarães*

*Por Luma Amaral*

Mais do que cruzar uma linha de chegada, homens e mulheres de Novo Mundo, no norte de Mato Grosso, correram por uma causa que precisa permanecer em movimento durante todos os meses do ano: o direito das mulheres a viverem com segurança, respeito e dignidade.

A 1ª Corrida Municipal Agosto Lilás, promovida pela Prefeitura de Novo Mundo, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, reuniu mais de 100 participantes em um percurso de dois quilômetros no contorno dos lagos do município.

Realizada no encerramento da programação do Agosto Lilás, a iniciativa conseguiu algo que campanhas públicas nem sempre alcançam: levar uma pauta grave para o espaço coletivo sem esvaziar sua importância.

A violência contra a mulher deixou os gabinetes, os folders e as peças de campanha e ocupou as ruas.

E ocupou acompanhada pela comunidade.

Homens e mulheres correram juntos, enquanto representantes de diferentes secretarias municipais, órgãos da Justiça, Ministério Público, forças policiais e integrantes da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher participaram da mobilização.

Essa presença conjunta talvez seja uma das mensagens mais importantes deixadas pelo evento.

## Violência contra a mulher não é problema apenas da mulher

Durante muito tempo, situações de violência doméstica foram tratadas como acontecimentos restritos ao ambiente privado. Hoje, o avanço das políticas públicas e da própria compreensão social mostra exatamente o contrário.

Violência é questão de saúde, segurança, assistência social, educação, Justiça e cidadania.

Por isso, quando diferentes instituições ocupam o mesmo espaço e assumem publicamente o compromisso com a proteção das mulheres, a mensagem que chega à comunidade é poderosa: *a vítima não precisa enfrentar a violência sozinha e existe uma rede que deve estar preparada para acolhê-la.*

A primeira-dama e secretária municipal de Assistência Social de Novo Mundo, *Elena Oliveira Guimarães*, que também preside a Associação para Desenvolvimento dos Municípios de Mato Grosso (APDM/MT), destacou durante a mobilização que o Agosto Lilás não representa uma comemoração, mas um período de conscientização das famílias sobre respeito, dignidade e valorização da vida.

Ao resumir o simbolismo da atividade, Elena definiu: *“Cada passo dado representa uma luta e um direito de uma mulher”.*

A frase traduz a dimensão que uma ação aparentemente simples pode alcançar.

Porque uma corrida não substitui políticas públicas. Não substitui atendimento qualificado, assistência social, acolhimento, proteção policial, acesso à Justiça ou acompanhamento em saúde.

Mas pode fazer algo igualmente necessário: *romper o silêncio.*

Pode levar informação a quem ainda não reconhece determinadas formas de violência. Pode mostrar a uma mulher que existe uma rede próxima. Pode fazer um homem refletir sobre comportamentos naturalizados. Pode reunir famílias em torno de uma discussão que, por muitos anos, permaneceu escondida dentro das próprias famílias.

## A prevenção também precisa estar onde as pessoas estão

Há uma dimensão importante nas políticas públicas contemporâneas: não basta esperar que a população chegue aos serviços. Em muitas situações, são os serviços e as ações de conscientização que precisam chegar até a população.

Praças, escolas, unidades de saúde, eventos esportivos, associações, comunidades e espaços de convivência também são territórios de educação e prevenção.

Novo Mundo fez essa escolha ao transformar esporte e participação comunitária em instrumentos de conscientização.

Ao redor dos lagos da cidade, cada volta ajudou a dar visibilidade a mulheres que, muitas vezes, vivem situações de violência de maneira silenciosa e invisível aos olhos da própria comunidade.

Também ajudou a reforçar uma compreensão fundamental: enfrentar a violência contra a mulher exige uma rede articulada e permanente, capaz não apenas de atuar depois da agressão, mas de trabalhar antes dela, investindo em informação, educação, prevenção e fortalecimento de vínculos.

## Agosto termina. O compromisso não.

Campanhas têm datas para começar e terminar no calendário.

A violência, infelizmente, não.

Por isso, talvez o maior desafio deixado pelo Agosto Lilás seja justamente fazer com que a mobilização construída durante o mês atravesse setembro, outubro, novembro e todos os outros meses do ano.

Uma sociedade verdadeiramente comprometida com a proteção das mulheres precisa transformar campanhas em cultura, eventos em continuidade e discursos em práticas.

Ao final da corrida, os participantes receberam uma lembrança da primeira edição do evento. Mas o principal legado não estava entre aquilo que podia ser levado para casa.

Estava na imagem construída coletivamente.

Mais de cem pessoas correndo juntas.

Instituições caminhando na mesma direção.

Homens e mulheres dividindo o mesmo percurso.

E uma cidade dizendo publicamente que violência contra a mulher não pode ser naturalizada, escondida ou ignorada.

Em Novo Mundo, o Agosto Lilás terminou com uma corrida.

*A caminhada pela proteção, pela dignidade e pela vida das mulheres, entretanto, precisa continuar.*

Com informações divulgadas pela Prefeitura Municipal de Novo Mundo e Guarantã News.

Astrogildo Aécio Nunes

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