‘Procurar médico não é sinal de fraqueza’, alerta urologista

O preconceito e a resistência aos exames preventivos ainda são alguns dos principais obstáculos no combate ao câncer de próstata. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, muitos homens continuam adiando a ida ao médico, seja por questões culturais, vergonha ou pela falsa impressão de que, na ausência de sintomas, não há motivos para preocupação.
Em alusão à campanha Novembro Azul, o médico urologista Dr. Cristiano Raiter Jr., em entrevista ao , fez um alerta para a importância do acompanhamento regular. Ele também explicou os principais fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce no tratamento da doença.
Para ele, é necessário romper a ideia de que procurar ajuda médica é sinal de fraqueza e incorporar a prevenção à rotina masculina. Confira a entrevista:
Gazeta Digital – Por que o câncer de próstata ainda é um assunto cercado de preconceitos e resistência entre os homens, especialmente quando se fala em exames preventivos?
Dr. Cristiano Raiter Jr – O homem, historicamente, não tem o hábito de cuidar da própria saúde. Quando falamos do exame de toque retal, ainda existe muito preconceito, principalmente por uma questão cultural e pela associação equivocada com a masculinidade. O exame não tem absolutamente nenhuma relação com a masculinidade do homem. É um exame rápido, simples e que pode trazer informações importantes para a avaliação da próstata.
Gazeta Digital – Quais são os principais sinais de alerta do câncer de próstata e por que a ausência de sintomas não significa que o homem esteja livre da doença?
Dr. Cristiano Raiter Jr – O câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas na fase inicial. Quando surgem, os sinais podem incluir dificuldade para urinar, jato fraco, aumento da frequência urinária e, em alguns casos, sangue na urina ou no sêmen. Em estágios avançados, podem ocorrer dores ósseas. A ausência de sintomas não descarta a doença, já que muitos casos são identificados durante exames de rotina.
Gazeta Digital – A partir de qual idade os homens devem procurar avaliação médica e quais fatores de risco exigem atenção redobrada?
Dr. Cristiano Raiter Jr – Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a avaliação para rastreamento deve começar aos 50 anos para homens sem fatores de risco e aos 45 anos para aqueles com maior risco, como homens negros, pessoas com histórico familiar da doença ou alterações genéticas hereditárias. A recomendação é procurar um urologista para definir o momento e a estratégia de avaliação de forma individualizada.
Gazeta Digital – Quais são os exames disponíveis para investigar o câncer de próstata e como funciona o diagnóstico e o tratamento quando a doença é descoberta precocemente?
Dr. Cristiano Raiter Jr – A avaliação começa com os exames de PSA, feito por meio de sangue, e o toque retal. Caso sejam identificadas alterações, o urologista pode solicitar uma ressonância magnética e, se necessário, uma biópsia para confirmar o diagnóstico.
Quando descoberto precocemente, o câncer de próstata tem boas chances de tratamento e controle. As opções incluem cirurgia, radioterapia e, em tumores de baixo risco, vigilância ativa. A escolha depende de cada paciente, considerando também a preservação da qualidade de vida e das funções urinária e sexual.
Gazeta Digital – Além do câncer de próstata, quais outros cuidados os homens devem adotar para manter a saúde em dia e por que é importante abandonar a ideia de que procurar um médico é sinal de fraqueza?
Dr. Cristiano Raiter Jr – A saúde do homem deve ser cuidada de forma integral, com atenção à pressão arterial, colesterol, glicose, alimentação, atividade física e saúde mental. Os problemas urinários e dificuldades de ereção não devem ser tratados como parte natural do envelhecimento e a prevenção e o acompanhamento médico precisam fazer parte da rotina masculina.
(GD)






