Procura por crédito dispara 49,56% em um ano, aponta levantamento da CNDL

A busca dos brasileiros por crédito cresceu 49,56% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O avanço ocorre em um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias, com dificuldades para manter as contas em dia e maior necessidade de recursos para reorganizar as finanças.
Os dados são de levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Apesar do crescimento na comparação anual, o volume de consultas realizadas pelo setor financeiro recuou 13,67% em relação a agosto deste ano.
Entre os consumidores que buscaram crédito em setembro, a maioria era do público masculino, responsável por 53,14% das consultas. Na divisão por faixa etária, a maior participação foi registrada entre pessoas de 40 a 49 anos, que representaram 24,21% do total.
Empréstimos concentram contratações
O levantamento mostra que apenas 3,6% dos consumidores consultados efetivamente contrataram algum serviço de crédito.
Entre aqueles que conseguiram contratar, 89,13% optaram por empréstimos, enquanto 10,06% contrataram financiamentos. Os percentuais indicam a predominância do crédito pessoal entre as operações realizadas.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o comportamento da demanda demonstra a pressão financeira enfrentada pelas famílias brasileiras.
Segundo ele, em um cenário de juros elevados, renda comprometida e dificuldades para manter as contas em dia, o crédito deixa de ser procurado apenas para financiar projetos ou estimular o consumo e passa a ser utilizado também para cobrir despesas mensais, quitar compromissos atrasados e reorganizar as finanças.
O dirigente alerta que a contratação de novos empréstimos sem planejamento pode agravar o endividamento, especialmente quando os consumidores já enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento.
Restrições financeiras atingem consumidores
Outro dado que chama a atenção é a situação dos consumidores no momento das consultas. Segundo o levantamento, 38,73% possuíam alguma restrição ativa nos cadastros de crédito.
O indicador reforça o cenário de dificuldade financeira de parte da população e representa um desafio também para o comércio, que depende do crédito como instrumento para estimular as vendas, principalmente de produtos de maior valor.
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, destaca que o custo elevado do dinheiro, associado à inadimplência e ao comprometimento da renda, limita o poder de compra das famílias e reduz a capacidade de consumo.
Para ele, é necessário criar condições que favoreçam a recuperação do poder de compra, a redução do endividamento e o
Na divisão regional, o Sudeste concentrou a maior participação nas consultas realizadas em setembro, com 45,66% do total.
O Nordeste apareceu na sequência, com 21,70%, seguido pelo Sul, com 17,70%. O Centro-Oeste respondeu por 8,38% das consultas, enquanto o Norte registrou participação de 6,57%.
Os dados mostram a distribuição regional da procura por crédito e ajudam a dimensionar o comportamento dos consumidores nas diferentes regiões do país.






