Polícia Civil de MT intensifica operações e prende lideranças de facção na Bolívia, Paraguai e Rio

A Polícia Civil de Mato Grosso intensificou as operações para localizar e prender integrantes de facções criminosas que tentam escapar da Justiça em outros estados e países. Segundo informações divulgadas pela instituição, ações conduzidas desde 2025 resultaram na captura de lideranças e operadores financeiros na Bolívia, no Paraguai e no Rio de Janeiro, além da localização de foragidos escondidos em cidades mato-grossenses. As operações envolvem equipes de inteligência, cumprimento de mandados judiciais e cooperação com forças policiais nacionais e internacionais.
Entre os casos de maior repercussão está a prisão de Angelica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, apontada pela polícia como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no estado. Ela foi localizada em uma residência de um condomínio de alto padrão em Santa Cruz, na Bolívia. Conforme o balanço policial, em 20 de outubro, uma terça-feira, foi realizado o recambiamento da investigada para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
De acordo com a delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Silveira Maidel, os resultados estão relacionados aos investimentos em segurança pública, ao fortalecimento das instituições e à integração entre equipes de investigação. A corporação atribui parte do alcance das operações ao compartilhamento de informações e ao trabalho de inteligência voltado à identificação de suspeitos que deixam o estado para evitar a prisão.
Entre junho e outubro de 2026, segundo o balanço divulgado pela Polícia Civil, cinco lideranças de uma facção foram presas na Bolívia e uma no Paraguai. As ações tiveram participação da Gerência Estadual de Polinter, responsável por atividades relacionadas à localização de foragidos, e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Em junho, Willian Guilherme dos Santos foi preso na Bolívia. Além de ser apontado como integrante do grupo criminoso, ele era procurado por um homicídio cometido em Bauru, no interior de São Paulo.
Em agosto, o médico André Barbosa de Souza foi localizado em San Matias, na Bolívia. Investigado por suposta ligação com uma facção criminosa, ele foi preso em uma ação que reuniu a Polinter, a Draco e a Interpol, organização internacional de cooperação policial.
Em setembro, Pedro Henrique Lima foi preso em San Ignacio Velasco, também na Bolívia. A captura ocorreu após contato entre o Departamento de Inteligência da Polícia Boliviana e a Polinter. Segundo as informações policiais, havia um mandado de prisão em aberto contra ele por homicídio.
Na mesma residência, outros cinco brasileiros foram presos em flagrante, suspeitos de envolvimento na morte de um desafeto. A polícia relacionou o caso à disputa por drogas entre grupos criminosos rivais. A responsabilização dos envolvidos depende da apuração e dos procedimentos judiciais cabíveis.
Também em setembro, Angeliquinha foi localizada na Bolívia. No mesmo mês, João Batista Vieira dos Santos, apontado como uma das lideranças da facção em Mato Grosso, foi preso em Mariano de Luque, no Paraguai. A operação contou com a participação da Polinter, da Draco de Cuiabá e da inteligência da polícia paraguaia.
Rio de Janeiro concentra operações contra foragidos
O Rio de Janeiro aparece entre os principais destinos identificados pela Polícia Civil nas buscas por integrantes de uma facção com atuação em Mato Grosso. Entre 2025 e 2026, diferentes operações localizaram suspeitos que, conforme as investigações, continuavam a exercer funções de comando, articulação ou movimentação financeira mesmo longe do território mato-grossense.
Em 3 de agosto de 2025, Ingride Fontinelles Morais e Priscila Moreira Janis foram presas em um shopping no Rio de Janeiro. Ingride é apontada como ex-esposa de um traficante e conselheiro da facção e estava foragida havia quase dois anos. Priscila, por sua vez, era investigada como uma das principais lideranças do grupo em Sorriso, no norte de Mato Grosso.
Segundo as apurações policiais, Priscila exercia, desde 2022, o comando de atividades criminosas e determinava ataques contra rivais. A investigação também apontou uma atuação violenta que teria provocado uma ruptura interna na organização.
Ainda em agosto de 2025, Bruno Ojeda foi preso em um hotel em Copacabana. Alecsandro Santiago da Cruz e André Valber de Macedo Nunes Silva, que estavam com ele, também foram presos em flagrante. Conforme a polícia, o trio seria responsável por coordenar, a partir do Rio de Janeiro, ações da facção em Mato Grosso. Os investigados também eram associados, nas apurações, a suspeitas de sequestro, roubo e aliciamento de menores.
Em setembro de 2025, Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado como conselheiro da organização, e Ederson Xavier de Lima, o Boré, identificado como operador financeiro, foram presos na Praia de Piratininga, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
No mês seguinte, Acácio Costa Ribeiro, conhecido como Panela, foi localizado em um apartamento de alto padrão na Barra da Tijuca. Ele era apontado como liderança da facção na região sul de Mato Grosso e ocupava, segundo a investigação, uma posição de destaque na hierarquia criminosa.
Prisões em 2026 atingem comando e finança
As operações continuaram em 2026, com ações voltadas a suspeitos de exercer funções de liderança e administrar recursos da organização criminosa.
Em janeiro, Renato Barbosa, conhecido como Pezão ou Topete, foi preso no Rio de Janeiro durante a Operação Cartorium. Segundo a Polícia Civil, ele era apontado como liderança da facção em Primavera do Leste, Vila Rica e Barra do Garças.
Em fevereiro, Adão Alves da Silva Neto, identificado como operador financeiro e braço direito de Gilmar Reis da Silva, conhecido como Vovozona, foi preso em uma padaria no Rio de Janeiro. Vovozona é apontado como conselheiro da organização criminosa.
Em julho, Erival Vitorino Machado, conhecido pelos apelidos Demenor, Semente e Menor Wisk, foi preso no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A ação foi marcada por um confronto armado e pela apreensão de três fuzis. Um dos armamentos estava, conforme o relato policial, em posse do suspeito, que também portava um documento de identidade falso.
Em agosto, Guilherme Moura da Silva foi preso enquanto treinava em uma academia no bairro de Inhaúma, na capital fluminense. Ele era apontado como operador financeiro da facção e um dos homens de confiança de Jonas Souza Gonçalves, o Batman. De acordo com a investigação, sua função incluía a movimentação de recursos da organização.
As capturas de suspeitos ligados às finanças indicam uma frente de investigação que vai além da localização de pessoas procuradas. Identificar responsáveis pela movimentação de dinheiro pode ajudar a esclarecer a estrutura operacional de uma organização criminosa. No entanto, a extensão dos recursos identificados e os resultados financeiros dessas ações não foram detalhados no balanço divulgado pela instituição.
Foragidos de outros estados são encontrados em M
As operações da Polinter também tiveram como alvo pessoas procuradas pela Justiça de outras unidades da Federação que estavam escondidas em Mato Grosso. Entre os casos citados pela Polícia Civil está o de Antônio Brasileiro da Silva Neto, descrito pelas autoridades como um criminoso de alta periculosidade e apontado como nome de destaque de uma facção criminosa do Ceará.
Ele foi preso em uma residência de alto padrão em Chapada dos Guimarães. A ação foi realizada em conjunto com a Polícia Civil cearense, demonstrando a importância da cooperação entre instituições estaduais para localizar pessoas que mudam de endereço para dificultar o cumprimento de decisões judiciais.
No fim de abril de 2026, equipes de inteligência da Polinter e da Delegacia de Vila Rica prenderam Semi Alves da Silva, condenado a 17 anos de prisão por estupro de vulnerável contra uma criança de 10 anos. O caso provocou comoção na cidade, conforme o relato da corporação.
Outro caso de destaque ocorreu em agosto de 2026, quando Aluízio Faria Batista foi preso em Cuiabá. Ele era procurado pela Justiça do Rio Grande do Norte desde 1984, após um acidente de ônibus ocorrido durante o Carnaval daquele ano, que provocou a morte de 19 pessoas. O episódio ficou conhecido nacionalmente como Tragédia do Baldo.
Como funciona a cooperação entre as polícias
A localização de foragidos em outros estados ou países exige mais do que a consulta a mandados de prisão. As equipes precisam reunir informações, verificar possíveis endereços, identificar vínculos e coordenar a atuação com as autoridades responsáveis pelo local onde o suspeito se encontra.
No Brasil, as polícias civis estaduais podem cooperar por meio do compartilhamento de informações e de operações conjuntas. Quando a pessoa procurada está no exterior, a atuação depende dos mecanismos de cooperação internacional e da legislação aplicável no país onde ocorre a localização. A participação da Interpol pode facilitar a comunicação entre autoridades, mas não substitui os procedimentos legais exigidos para cada prisão e eventual transferência.
O recambiamento, como ocorreu no caso de Angeliquinha, é o procedimento de transferência de uma pessoa presa para a unidade federativa responsável pela custódia ou pelo processo. A execução deve observar as decisões judiciais e as regras aplicáveis ao caso.
Mandados de prisão, investigações e condenações são situações jurídicas distintas. Uma pessoa investigada ou presa não deve ser tratada automaticamente como condenada. Já nos casos em que existe condenação definitiva, o cumprimento da pena segue os termos da decisão judicial e da legislação penal.
Ao comentar os resultados, a delegada-geral Daniela Silveira Maidel afirmou que os investimentos, o planejamento e a integração entre forças policiais são fundamentais para localizar suspeitos que tentam se esconder em outros estados ou países. O diretor de Atividades Especiais, delegado Cláudio Álvares Sant’Ana, também destacou o papel da investigação e da inteligência no cumprimento de mandados e na responsabilização de foragidos.
O balanço institucional reúne operações de diferentes períodos e localidades, mas não apresenta um total consolidado de mandados cumpridos, recursos financeiros apreendidos ou condenações decorrentes das prisões mencionadas. Esses indicadores ajudariam a dimensionar os efeitos das ações para além do número de capturas.
Para acompanhar os desdobramentos das investigações e as informações oficiais sobre segurança pública, consulte os comunicados da Polícia Civil e as atualizações publicadas pelo CenárioMT.
Reportagem baseada em informações divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso, com contextualização sobre cooperação policial, cumprimento de mandados e procedimentos legais. As atribuições relacionadas aos suspeitos foram apresentadas conforme o balanço institucional, sem substituir decisões judiciais.
Fonte: CenárioMT






