Peça rara de mármore é encontrada em naufrágio do século 19 na Grécia; fotos

Peça rara de mármore é encontrada em naufrágio do século 19 na Grécia; fotos
Mergulhadores nos restos de Mentor, uma embarcação que afundou em 1802 próximo à ilha de Kythira — Foto: G. Issaris

escavações subaquáticas revelou descobertas significativas no naufrágio do brigue Mentor, embarcação que afundou em 1802 próximo à ilha de Kythira, no, no sudeste da Grécia. Entre os achados mais relevantes está um fragmento de mármore decorativo proveniente da Acrópole de Atenas — um vestígio direto da remoção controversa de antiguidades gregas no início do século 19.

A pesquisa, conduzida em 2025 por especialistas em antiguidades subaquáticas sob a direção do arqueólogo Dimitrios Kourkoumelis-Rodostamos, concentrou-se em áreas ao redor do casco remanescente do navio. Segundo comunicado compartilhado nessa segunda-feira (16) pelo Ministério da Cultura da Grécia, duas seções principais foram escavadas, com o objetivo de identificar vestígios estruturais da embarcação e mapear a dispersão de seus restos no fundo do mar.

Os resultados confirmaram uma hipótese antiga de que o casco do Mentor teria praticamente desaparecido, já que nenhum fragmento estrutural significativo foi encontrado, indicando que a embarcação permaneceu exposta por tempo suficiente para sofrer decomposição completa. Esse processo pode ter sido acelerado ainda no século 19, quando mergulhadores abriram acesso ao porão durante tentativas de resgate da carga, contribuindo para a deterioração da estrutura. Veja imagens:

Por dentro do naufrágio

Apesar da ausência do casco, os arqueólogos localizaram diversos elementos associados ao navio e à vida a bordo. Entre eles estão fragmentos do revestimento de cobre, utilizado para proteger a parte inferior da embarcação, além de indícios de reforços em chumbo na quilha. Também foram encontrados utensílios cotidianos e uma placa de argila possivelmente usada no isolamento térmico da fornalha do navio.

Esses materiais ajudam a reconstruir aspectos técnicos da embarcação e as condições de vida de sua tripulação, além de oferecer pistas sobre a dispersão dos destroços após o naufrágio. As escavações indicam que, embora a estrutura principal tenha desaparecido, parte do equipamento e da carga permaneceu relativamente preservada no leito marinho.

O achado mais emblemático é um pequeno fragmento de mármore esculpido, com dimensões de aproximadamente 9,3 por 4,7 centímetros. A peça apresenta um elemento decorativo em forma de “gota”, típico da ornamentação arquitetônica clássica, e pode ter integrado à arquitetura da Acrópole à época.

Trata-se da primeira evidência direta, encontrada no local do naufrágio, de que parte da carga original de esculturas ainda permaneceu submersa após as operações de resgate realizadas no século 19. Na época, grande parte dessas antiguidades foi recuperada e posteriormente vendida ao Museu Britânico, onde permanece até hoje, lembra o site Live Science.

Próximos passos

O Mentor era um dos navios utilizados por Thomas Bruce, o sétimo conde de Elgin, responsável pela remoção das esculturas conhecidas como “Mármores de Elgin”. A operação ocorreu durante o domínio otomano sobre a Grécia e segue sendo alvo de disputa internacional. O governo grego reivindica a devolução das peças, enquanto o museu britânico mantém sua posse.

As escavações, realizadas desde 2009 por uma equipe multidisciplinar, continuam em andamento. De acordo com o Ministério da Cultura, estudos e processos de conservação adicionais deverão esclarecer a origem exata do fragmento e aprofundar a compreensão sbre o naufrágio, que, mais de dois séculos depois, ainda lança luz sobre um dos debates mais persistentes envolvendo patrimônio cultural e restituição histórica.

(Por Arthur Almeida)

Astrogildo Aécio Nunes

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