Ode à Cantora Denise Cerqueira: A Rainha da Interpretação Gospel Brasileira

Ode à Cantora Denise Cerqueira: A Rainha da Interpretação Gospel Brasileira
Divulgação

(*) Suziene Cavalcante

Ah, mui bela e célebre voz de “Jerusalém E Eu”!
Voz que ainda paira, com unguento, sobre os altares do tempo, salmo que nunca envelhece nos templos, intérprete da valsa dos querubins mais intensos, óh… um verdadeiro incenso à Deus!

Havia em teu timbre angélico, o veludo serafinado e épico… Em tua voz, o lar dos anjos se fez férvido, de modo que nosso cérebro…se surpreendeu!
Oração vestida de melodia…Ah, tua voz bordada de poesia, simplesmente acontecia dentro de quem ouvia.. os hinos teus!

Tuas notas diferenciadas, genializadas, pareciam nascer já purificadas, como água fresca correndo pelas veredas, pelas vias secas… da alma cansada!

Foste intérprete do invisível aqui…
Dom raro, lindo, vasto, sem fim!
Há nomes que o tempo pronuncia com lábios de serafim…Em sílabas de luz, ó sim… a incendiar!

Estrela serena do Evangelho cantado…Chama, nas mãos do tempo, teu legado!
C’o espírito rendido, inteiro, luminoso e elevado…a cantar!
Ó voz de seiva, ó brisa meiga que bem amanteiga o manso louvar!
Luz que pousou sem invadir… Há vozes que o tempo guarda dentro de si… Como relíquias de luz a reluzir, como fervente memória a reouvir, a reescutar!

Fez-se eternidade teu ministério fiel…
Teu legado, em nós, segue cantando, que laurel!
Há vozes que atravessam os Montes, atravessam o tempo como sinos ao longe, chamando as almas às fontes, para mais perto do Céu!

Tua voz repintou Jerusalém!
Versos que abriam portões invisíveis também!
Notas que erguiam muralhas na fé de alguém!
Ó voz de pincel!
Tu fizeste o milagre delicado de trazer a capital do sagrado para o interior dos seres cansados!
Que céu!

“Jerusalém E Eu”, pérola de teu cantar brilhante!
Ao entoá-la de forma iluminante, não conduzias a alma vibrante à uma geografia distante, mas à uma travessia interior!
A Cidade Santa e querida… Deixava de ser de pedras antigas, e tornava -se paisagem de vida, dentro da alma aflita. Que louvor!

Desenhar a alma humana, com a tinta de uma cidade soberana… Que interpretatividade em chamas! Só a voz de Denise, em tela plana, pintou!

Sim, a voz de Denise era uma cidade!
Onde o sagrado transitava, em verdade! Onde o turismo de gerações, em eternidade, se firmou!
Quem te escutava peregrinava, sem sair d’onde estava… Os templos íntimos da alma revisitava, em praças secretas do próprio ser ajoelhava… Sim, nos transportou!

Ao cantar “Jerusalém E Eu”, ó voz reluzente! Ensinaste que a Cidade Santa e veemente, não está apenas no Oriente, mas no centro do peito do espírito vivente…
Jerusalém realmente também sou!

E quando ” Jerusalém E Eu” em tua voz salta… Teu timbre guia, com calma, os peregrinos da alma, ó condutora que salma o invisível!
Conduziste -nos, com serenidade, a descobrir a grande verdade: Que nossa alma é uma cidade, na geografia da eternidade imperecível!
Então, quando foste recolhida… Apenas voltaste à cidade escondida… Dentro de tua própria alma erguida… Pois, já eras em vida, o céu movível!

Teu corpo em ausência… Não silenciou tua presença… Voz que o tempo acolheu com fulgência, na História do louvor!
Nos lares do Brasil, Denise permanece! Suas canções ainda embalam nossas preces! Como referência de talento permanece… Ó carisma celeste e grandeza interior!
Ó intérprete das alturas sagradas! À tua genialidade, a melodia se curvava… Os anjos mais finos em tua aura moravam…
Sozinha, eras um coral que emanava louvor!

Teu timbre dançava, em postura bonita, a doçura das fontes profundas e escondidas, qual firmeza das rochas mais bonitas, que belamente ficam…
Que topor!

Há vozes de mel que Deus recolhe como troféu! A fim de compor melhor a música do Céu! Para auxiliar o serafim mais fiel… em seu esplendor!

Ergue -se ainda no ar de teu legado… A claridade de teu canto consagrado… Como a aurora consola os orvalhos, na face dos Montes lacrimejados, com amor!
Ó estrela partiturada!
Nos altares da memória, ei-la guardada! Ainda acendes lâmpadas adornadas…
Sol, em nossas estradas, que nunca irá se pôr!

Rara voz de linho não faz-se apenas som, faz-se caminho!
Teu fulgor musical:um carinho, um jardim que continua florindo… Como perfume no ar se abrindo, na passagem d’uma rara flor!

Quando cantavas, a alma lembrava de onde veio enviada, sim, recordava o espírito!
O mundo parecia encher-se de melodia, uma nova dimensão se abria, em sintonia, sem ruído!
E nesse instante suspenso, a fé e a alma, em silêncio, valsavam -se em cumprimento ao infinito!

ua voz: irmã da estrela d’alva… Clara nasce nas madrugadas da alma… Pois há vozes que o tempo guarda na palma, como quem protege uma chama que espraia ao vento!
Estrela conhece o peso da noite… Mas escolhe brilhar ante aos açoites… Um verdadeiro imortal nunca foi-se!
Prevalece nas noites, na História do firmamento!

(Suziene Cavalcante: Poeta brasileira)

 

 

Astrogildo Aécio Nunes

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