O que perdemos quando apressamos as respostas de uma criança

O que perdemos quando apressamos as respostas de uma criança
Imagem Pessoal

No banco de trás, a criança olha pela janela e percebe algo estranho: a lua está ali, atrás das árvores, sempre no mesmo lugar em relação ao carro.

“Mãe, por que a lua está seguindo a gente?”

“Ela não está seguindo não, filha. É só impressão.” E o olhar volta pro trânsito.

A cena é banal. Acontece todos os dias, em milhares de carros, em milhares de casas. Mas ela guarda uma pergunta que vale a pena parar para pensar: o que acontece quando interrompemos a curiosidade de uma criança?

Costumamos tratar a curiosidade como um traço de personalidade — dizemos que uma criança “é curiosa”, como se fosse apenas um jeito de ser. Na Terapia Ocupacional, olhamos por outro prisma: a curiosidade pode ser compreendida como uma das primeiras formas de participação no mundo.

É através dela que a criança se aproxima da realidade. Testa hipóteses. Experimenta. Constrói significado. Por isso, a pergunta mais importante não é quantas respostas ela já decorou, mas quantas oportunidades ela tem de perguntar.

Vivemos numa época em que as respostas chegam cada vez mais rápido. Uma busca, um aplicativo, um adulto apressado — tudo parece já estar pronto, à distância de um clique ou de uma frase feita. Mas aprender não é receber informação. É participar da construção dela.

O encadeamento é simples, mas profundo: quem pergunta, participa. Quem participa, vive experiências. As experiências ajudam a construir significados sobre quem somos e sobre o que somos capazes de fazer. E esses significados ampliam o horizonte daquilo que conseguimos imaginar.

Talvez a maior tarefa dos mais velhos não seja responder a tudo, mas cuidar para que as perguntas continuem existindo. Porque preservar a curiosidade é preservar a disposição de participar do mundo — e é justamente dessa participação que a autonomia começa a nascer.

Andréa Fernandes -Autora do livro Pequenos e Decisivos Passos na Infância
Instagram: @andrea.desenvolvimentoinfantil

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Astrogildo Aécio Nunes

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