O que comiam os maiores dinossauros do mundo? Estudo investigou

O que comiam os maiores dinossauros do mundo? Estudo investigou
Os saurópodes são conhecidos como dinossauros grandes e “pescoçudos”. Apesar do tamanho, não eram predadores, e tinham hábitos herbívoros — Foto: Богдано/Wikimedia Commons

Análises dentárias em fósseis de dinossauros saurópodes revelaram como era a dieta de um dos maiores animais que já pisaram na Terra. Um estudo internacional que investigou marcas microscópicas de desgaste no esmalte de dentes conservados conseguiu determinar não apenas do que essas criaturas se alimentavam, mas também quais eram as características dos ecossistemas em que viviam.

Os saurópodes eram dinossauros herbívoros que viveram até o final do período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos. Podiam medir 20 metros de altura e 40 metros de comprimento, como o argentinossauro (Argentinosaurus huinculensis). Explicações sobre como esses seres atingiram tamanhos tão gigantescos ainda é um mistério para os paleontólogos.

Em pesquisa internacional publicada na revista científica Nature Ecology and Evolution, pesquisadores estudaram dentes remanescentes de 39 saurópodes encontrados em sítios paleontológicos de Portugal, Estados Unidos e Tanzânia.

As amostras são datadas de aproximadamente 150 milhões de anos, e passaram por 332 varreduras 3D, com o objetivo de se obter uma precisão de detalhes microscópica dos esmaltes dos dentes.

“Estamos falando de estruturas na escala do micrômetro (um milionésimo de metro). Essas pequenas marcas de desgaste resultam da interação entre o dente e o alimento – elas revelam o que os animais comeram nos últimos dias ou semanas de vida”, afirma Daniela Winkler, coautora do estudo em entrevista à revista Cosmos.

Espécies de dinossauros saurópodes estavam espalhadas em quase todos os continentes, muito por conta do comportamento migratório de várias espécies do grupo — Foto: Daniela E. Winkler, Emanuel Tschopp/Nature Ecology and Evolution
Espécies de dinossauros saurópodes estavam espalhadas em quase todos os continentes, muito por conta do comportamento migratório de várias espécies do grupo — Foto: Daniela E. Winkler, Emanuel Tschopp/Nature Ecology and Evolution

Hábitos alimentares dos dinossauros

Uma das grandes descobertas do estudo foi que espécies de camarassauros – encontrados tanto nos Estados quanto em Portugal – apresentaram padrões de desgaste pouquíssimos variados.

Segundo Emanuel Tschopp, coautor do estudo, o clima desses dois lugares era altamente sazonal, com certas plantas não estando disponíveis o ano todo. Isso sugere que, como esses dinossauros procuravam sempre as mesmas fontes de alimento, eles teriam comportamentos migratórios.

Por outro lado, dentes de dinossauros diplodocóides – saurópodes com caudas alongadas – padrões de desgaste muito variados, uma evidência de serem espécies com uma alimentação diversificada e, seguindo a lógica, de terem migração limitada.

Já os titanossauros da Tanzânia foram descritos com esmaltes com desgastes intensos e complexos, que poderiam ser explicados pela presença de elementos abrasivos no habitat em que viviam e nas plantas de que se alimentavam, como areia em climas semiáridos.

Os cientistas argumentam que a melhoria das análises dentárias para relacionar vestígios fósseis aos comportamentos de dinossauros pode expandir os estudos para dentes cada vez mais antigos.

“O que me entusiasma é que podemos continuar refinando esse método – e a cada nova amostra adicionamos mais uma peça ao quebra-cabeça. Nossas ferramentas estão melhorando – assim como nosso entendimento sobre como realmente a vida era naquela época”, conclui Winkler.

(Por Fernanda Zibordi)

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